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Ricky Hiraoka


Beni Falcone, ex-Rebelde e líder de bloco LGBTQI+: "Fervo também é luta"

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O ator e cantor Beni Falcone se prepara para show com o Candybloco em São Paulo Imagem: Divulgação
Ricky Hiraoka

Formado em jornalismo pela USP e pós-graduado em roteiro pela FAAP, Ricky Hiraoka foi colunista social na revista VEJA SÃO PAULO e na L'Officiel, colaborador de títulos como Glamour, Estilo e Boa Forma e apresentador da TV Marie Claire. Como roteirista, escreveu as séries Z4 (SBT/Disney), Eu, Ela e Um Milhão de Seguidores (Multishow), alem do reality show Fábrica de Casamentos (SBT/Discovery) e o humorístico Ceará Fora da Casinha (Multishow).

01/02/2019 04h00

Um dos grandes nomes da versão brasileira da novela "Rebelde" e destaque da série "Plano Alto", ambas da Record, Beni Falcone tem se dedicado mais à música. Desde o fim de 2017, ele comanda o Candybloco, um bloco de Carnaval que festeja a diversidade e que já reuniu mais de 20 mil pessoas em uma apresentação. "Sentia falta de uma celebração à cultura LGBTQI+ no Carnaval de rua", conta.

"Sempre quis fazer um bloco com divas pop para abraçar a diversidade." No próximo dia 9, o Candybloco faz a sua primeira apresentação em São Paulo, na Via Matarazzo. Beni falou com a coluna sobre o show.

UOL - Qual é a importância de existir um bloco LGBTQI+ neste momento político?

Beni Falcone - O Candybloco busca a comunicação através do amor e da empatia, mas tem um posicionamento claro. A gente entende que, quando junta 20 mil pessoas, está fazendo política. A drag queen se monta para celebrar com a gente, o gay e a lésbica que se arrumam e saem para beijar na boca no Candybloco estão realizando um ato político. A música é a liga para juntar pessoas de diferentes classes sociais e padrões estéticos para fazer política. Como diz o MC Queer, o fervo também é luta. Eu me sinto honrado de olhar de cima do palco e ver um mar de gente celebrando a diversidade, apesar do medo. Estamos fazendo política sendo nós mesmos.

Como as divas pop ajudam a propagar o respeito às diferenças? E qual é o limite de atuação delas, já que todas são mulheres cis e, em geral, heterossexuais?

As divas pop fazem parte da cultura LGBTQI+. Elas são figuras com mensagens fortes. Diversas músicas de Madonna, Beyoncé e Janet Jackson me ajudaram a atravessar momentos muito dark da minha adolescência. Entendo que elas têm limites como mulheres héteros e cis quanto ao lugar de fala. Elas não falam pela comunidade. Elas são símbolos do feminino que é tão marginalizado numa cultura machista. Uma diva pop sensível à causa precisa entender que, às vezes, ela não pode falar pela comunidade LGBTQI+, que está ali como um alguém que provoca o diálogo e a reflexão, que vai usar todos seus privilégios para trazer à tona assuntos que merecem ser debatidos.

Você já fez novelas. Acha que alguma emissora pode colocar um ator assumidamente gay como mocinho?

Espero que sim. Espero que a gente evolua enquanto mercado, enquanto sociedade, e que o público consiga separar ficção e realidade. Eu acho que existe uma distorção de achar que todo ator quer o papel de galã e que todo protagonista tem que ser um tipo específico do herói apolíneo, higienizado, branco, loiro, do olho azul, sarado. A gente está num momento de desconstrução do que é o herói. Eu amo atuar e sinto falta. Sei que um papel vai surgir no momento certo e, dessa vez, não vou precisar me calar quando o assunto for minha vida pessoal.

Há sempre o rumor que assumir a homossexualidade atrapalha a carreira artística. Isso aconteceu com você?

No meu caso, assumir minha orientação sexual só me ajudou. Na verdade, nunca vivi dentro do armário. No jogo da TV, eu achei que precisava me calar para dar certo na profissão. Não rolou, porque nunca vivi uma vida de mentira. Nunca escolhi uma loira para ficar do meu lado e fingir que era heterossexual. Jamais me submeti a isso. Com 15 anos de carreira, posso dizer que assumir minha orientação sexual foi a melhor coisa que fiz. Hoje sei o que fazer quando subo no palco. Antes, estava fazendo uma versão limitada de mim mesmo e não dá para fazer arte dessa maneira.

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O ator e cantor diz que: "São Paulo é uma cidade que potencializa tudo o que entendemos como diversidade" Imagem: Divulgação

O que o CandyBloco prepara para a apresentação em São Paulo?

São Paulo potencializa tudo o que entendemos como diversidade, por receber gente do Brasil inteiro. Queremos celebrar todas as formas, todos os corpos, todos os tamanhos. São Paulo tem uma cultura de noite muito forte, uma diversidade de gente muito grande. Então, queremos pegar o melhor que construímos e apresentar para o público. Estou muito ansioso e será um showzão.

Há planos de levar os ex-RBDs para uma apresentação no Candybloco?

Eu convido sempre todos eles, mas cada um tem sua rotina. Eles são bem-vindos onde quer que eu esteja. Meus amigos que fizeram comigo a série "Quando Toca o Sino", da Disney Channel, vão ao show em São Paulo. Será a primeira vez desde 2010 que a gente reúne a galera. Estou muito feliz e emocionado que esse encontro vá acontecer.