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Família carnavalesca: "Aniversário em casa parece concentração da escola" 

Nelson Antoine/UOL
Família Gomes no ensaio da Dragões da Real Imagem: Nelson Antoine/UOL

Soraia Gama

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/02/2019 04h00

Na Dragões da Real há nove anos, a matriarca da família Gomes lembra quando levava os cinco filhos para os ensaios da Leandro de Itaquera, lá pelos idos dos anos 1980. "Eu tinha uns 30 anos, trabalhava em dois hospitais, e uma amiga me convidou. Eu falei que iria, mas só se pudesse levar as crianças", conta dona Maria Luiza, técnica de enfermagem aposentada e mãe de cinco filhos.

Sim, ela levava todos eles aos ensaios. "Não tinha carro, não! Íamos de ônibus. Levava colchonete para os menores, lanche, cobertor... O Carnaval naquela época não tinha a estrutura que tem hoje", conta a foliã de 67 anos. "E ainda tenho muito samba no pé, viu?", garante.  Depois de conhecer a alegria do Carnaval na Leandro, a família foi crescendo e também participou por bons anos da folia na Tom Maior. 

Na foto que ilustra esta reportagem, feita durante ensaio técnico no Anhembi, são 15 pessoas. Tem irmã, filhas, netos e até bisneta. Sem contar os que ficaram de fora do retrato oficial: Lumma, a neta que toca chocalho, e os dois genros: Rogério Félix, diretor de harmonia, e Reynaldo, diretor da ala das baianas.

"Eu me sinto muito orgulhosa e feliz. Amo Carnaval e adoro ver a minha família reunida. Quando tem aniversário na família parece mais uma concentração. Lá só toca samba-enredo", diverte-se, avisando que tem espaço para as músicas de todas as escolas (confira a programação dos desfiles deste ano em São Paulo). 

Como toda sambista que tira os problemas de letra, principalmente no Carnaval, dona Maria Luiza conta que já desfilou com o pé inchado. "Foi no ano em que a Dragões subiu para o Grupo Especial [2011]. Quebrei o pé lá no hotel [Holiday Inn Anhembi, onde alguns componentes das escolas se preparam para o desfile]. Todo o mundo queria que eu ficasse quieta, fosse cuidar de mim, mas não quis. Teimei e desfilei com o pé desse tamanho", diz ela, fazendo sinal com as mãos e rindo da própria desventura. 

Participação feminina

A bebezinha da trupe é Maitê, filha de Gabriella, neta de Jussara e Rogério e bisneta de dona Maria Luiza. No posto de 2ª porta-bandeira da escola, Gabriella conta que mais difícil do que carregar o peso da barriga nos ensaios foi passar o pavilhão para outra pessoa. "Eu estava no finzinho da gravidez, não podia arriscar. Deu uma dor no coração, mas o jeito foi desfilar como apoio do segundo casal", conta a irmã mais velha de Nelson e Jorge, que, por enquanto só desfilam.

Malu, uma prima deles, também é parte integrante da comunidade. Das cinco crianças que acompanhavam a mãe na quadra da Leandro de Itaquera, Júnior, pai de Malu, é o único filho homem de dona Maria Luiza. Ele não é chegado em Carnaval, assim como uma das irmãs, que já desfilou muito, mas pediu férias da folia paulistana.

Sara, também filha da matriarca, acumula dois cargos na Dragões: diretora de harmonia e fantasia. Casada com Reynaldo, é mãe da ritmista Lumma e de Lucas, que forma o terceiro casal de mestre-sala e portab-bandeira ao lado da prima Giulia. Flávia, a mãe de Giulia e Gisela, é filha de Marlene, irmã de Maria Luiza. Porém, Marlene está afastada do Carnaval por questões de saúde. 

Mas não acaba por aí! Elza, outra irmã de Maria Luiza, no alto dos seus 62 anos, esbanja alegria na concentração, enquanto vai apontando os membros da família toda e explicando quem é quem. 

Sheyla, a filha mais nova da líder da família Gomes, também é da harmonia e se orgulha pelo legado da mãe e pela união de todos, dentro e fora do Carnaval. E sempre com uma história para contar: "Em 2014, eu desfilei grávida e debaixo do maior temporal. É muito amor!", diz a mãe da pequena Laura, de quase 5 anos, que já ensaia seus passos na avenida.