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Musa vende óleo para caminhões e investe em fantasias que custam "um carro"

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

22/02/2019 04h00

De dia, a empresária Francine Carvalho administra sua loja na zona norte de São Paulo. À noite, a musa Francine Carvalho desfila em duas escolas de samba no Anhembi. Há cinco anos, a rotina dela se divide em dois mundos completamente opostos: como vendedora de óleo para caminhões e como integrante do Carnaval.

Francine herdou a loja de lubrificantes do pai. Aos 37 anos, ela se desdobra em reuniões com clientes e fornecedores atrás do produto melhor e mais barato. "Negociar está no sangue", conta a empresária, que desfila na Tom Maior e na Gaviões da Fiel. As duas escolas encerrarão o primeiro e o segundo dia de desfiles, respectivamente.

Ao UOL, Francine topou unir suas duas atividades no mesmo ensaio fotográfico e se fantasiou em sua própria loja. Entre dois caminhões e com as mãos sujas de óleo, a musa se sente em casa, bem como no sambódromo, onde criou um camarote de negócios e se orgulha em levar empresas que antes torciam o nariz para o Carnaval.

"Criei um espaço para eles conhecerem o que é o Carnaval de São Paulo. Antigamente, eles viam como desorganização, viam pontos negativos. Hoje, essa história mudou. As empresas querem fazer promoções, levar clientes e ver que no Carnaval você pode investir, porque vai ter a marca exposta na maior festa do Brasil", explica.

Francine Carvalho, musa da Gaviões da Fiel e da Tom Maior, posa em sua loja em São Paulo - Iwi Onodera/UOL - Iwi Onodera/UOL
Francine Carvalho, musa da Gaviões da Fiel e da Tom Maior, posa em sua loja em São Paulo
Imagem: Iwi Onodera/UOL

Fantasias custam "um carro"

Francine também encara o Carnaval como um investimento pessoal, a começar pela fantasia. Em 2018, ela desfilou com uma roupa banhada a ouro. A musa guarda segredo sobre o que levará para a avenida na próxima semana, mas entrega o valor.

"Não vou saber dizer quanto, mas minha despesa está maior do que a do ano passado. Com certeza, equivale até mais do que um carro popular", antecipa.

A empresária também redobra os cuidados para se manter linda e saudável sem prejudicar sua agenda de compromissos comerciais. Ela admite que, perto do Carnaval, ser musa dá mais trabalho do que ser dona de loja.

"Passo uns perrengues. Trago marmita se tiver almoço com um cliente ou um fornecedor. Quando saio da dieta, a comida não me cai bem. Acordo cedo, faço exercício com personal trainer toda manhã, vou para a academia, volto para casa, me troco e venho para a empresa. Dois meses antes do Carnaval, começo uma rotina mais regrada. Tenho que cuidar do cabelo, da unha, fazer drenagem. A rotina de musa é mais puxada", compara.

Machismo

Francine Carvalho, musa da Gaviões da Fiel e da Tom Maior - Iwi Onodera/UOL - Iwi Onodera/UOL
Francine Carvalho, musa da Gaviões da Fiel e da Tom Maior
Imagem: Iwi Onodera/UOL
Se nos anos 90 tivemos Sula Miranda e Débora Rodrigues como musa dos caminhoneiros, Francine Carvalho pode ocupar este cargo facilmente em 2019. Dezenas de motoristas estacionam em sua empresa para comprar ou trocar óleo, e a presença da empresária atrai olhares como se ela fosse uma modelo de calendário de borracharia. Ter um mulherão na chefia, contudo, também causa estranhamento.

"Sei dividir bem a Francine empresária e a do Carnaval. Às vezes chego na loja e alguns clientes não sabem que sou a dona, e perguntam para os vendedores: 'Nossa, quem é ela?'. Eles respondem, orgulhosos: 'Minha patroa'. Querem conversar enquanto fico no balcão, perguntam se desfilar é legal, qual é a minha dieta. Gosto dessa venda direta", afirma.

Francine, que diz estar "com o coração bem ocupado", admite já ter recebido cantadas de pessoas "atrevidinhas". "Tem gente que não respeita", reclama. Porém, ela comemora o bom relacionamento com quase todos os clientes que sabem distinguir a empresária da musa do Carnaval.

"Nunca sofri assédio, porque acho que assédio é aquilo que te incomoda, te fere. Mas sempre tive uma posição muito firme. As pessoas têm até um pouco de receio de chegar e falar alguma brincadeirinha. Existe esse bloqueio, acho que por causa da minha imposição. Não sou brava, mas imponho respeito. Acho que começa por aí, independentemente do que eu faço, se desfilo, se minha fantasia é ousada. O que você veste não dá liberdade para as pessoas", ensina.

Agradecimento: Truck Center

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