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Com padre Cícero high-tech, União da Ilha celebra Ceará e sua literatura

Desfile da União da Ilha - Júlio César Guimarães/UOL
Desfile da União da Ilha
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

05/03/2019 01h41

Ainda em busca do primeiro título do Carnaval do Rio, a União da Ilha do Governador apresentou neste ano uma ode ao nordeste brasileiro com um enredo em homenagem a dois grandes escritores do Ceará: Rachel de Queiroz e José de Alencar.

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Pelas frases da literatura, a escola louvou os encantos da terra e exultou a grandeza do povo cearense, trazendo a beleza do artesanato local para a Marquês de Sapucaí.

Correndo por fora, a União da Ilha não está entre as favoritas, mas é uma das candidatas a voltar no Desfile das Campeãs, o que não acontece há cinco anos. A agremiação desfilou com 29 alas, cinco alegorias, um tripé e 3.300 componentes.

Instrumental nordestino

Além da instrumentação tradicional do samba, com cavaco e violão, a União da Ilha caprichou na sonoridade do samba, fazendo uso de acordeom, que acompanhou o todo o desfile, com paradinhas e pequenos solos. Show de originalidade que também invadiu a parte rítmica, com trechos inspirados no forró e no xaxado.

Abre-alas

Diz a lenda que, na região cearense de Ipu, havia um dragão que guardava em uma gruta um tesouro, que foi roubado por um imigrante holandês e que o enterrou em frente à igreja de São Sebastião. O conto inspirou o abre-alas da União da Ilha, todo forrado na palha de carnaúba, uma das mais altas estruturas do Carnaval. O material de mais 3.500 metros foi trazido de avião pelo carnavalesco Severo Luzardo Filho.

Padre Cícero high-tech

A comissão de frente mostrou um cortejo com um grupo de sertanejos pedindo a ajuda de Padre Cícero. Eles queriam a bênção da chuva. A dança e o canto funcionam, e o religioso surgiu de dentro de uma estrutura, de batina e capacete, controlando o voo em um "drone aranha" construído em cima de um hoverboard, em uma cena que parecia tirada de filme de ficção científica. Não choveu, mas o comandante da estrutura, um engenheiro romeno radicado no Canadá, subiu alto --tanto que precisou de autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para o voo na Sapucaí.

Carro sobre os mercados

Os sabores da culinária cearense vieram no tripé "Feiras e Mercados", em alusão aos famosos mercados populares da região. Queijos, camarões e temperos variados dividiram espaço cenográfico com peças de artesanato, como portes de argila e cestos de palha, com materiais que realmente vieram do Ceará. Deu fome --e vontade de comprar.

Gracyanne Barbosa  - Júlio César Guimarães/UOL
Gracyanne Barbosa
Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Santa Gracy

A aparição de Gracyanne Barbosa costuma chamar atenção no Carnaval. A rainha de bateria da União Ilha surgiu alada, usando coroa, bota de cano alto e com terço na mão. Um look luxuoso e de inspiração religiosa, que deixou pouco à mostra sua polêmica forma física. Os ritmistas a acompanharam sem perder o ritmo, trajados de padre Cícero.

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