UOL CarrosUOL Carros
UOL BUSCA
Salão de Detroit 2008

16/01/2008 - 13h30
Roadsters e furiosos mostram o que é ser esportivo

CLÁUDIO DE SOUZA
Enviado especial a Detroit (EUA)

Existem várias maneiras de se sentir esportivo no que se refere a carros. Pregar adereços dentro e fora do veículo para ganhar um ar de off-road ou de "competição" é uma delas -- solução freqüentemente adotada pelas montadoras do Brasil. Outra, muito mais complicada para 99% dos motoristas (ou pilotos) verde-amarelos, é ter dinheiro de sobra para comprar um esportivo de verdade.

É o caso, por exemplo, dos roadsters, que hoje em dia são quase sempre carros com vocação de velocidade, sempre com duas portas e dois lugares. Pense bem: num verdadeiro carro de corrida o normal é embarcar, no máximo, duas pessoas (piloto e co-piloto). Não faz sentido misturar propostas como "performance de ponta" e "espaço para a família".

No Salão de Detroit, que chegou nesta terça-feira (15) a seu terceiro dia de visitação pela midia (o público será recebido a partir de sábado), há um punhado de belos exemplos de carros que unem desempenho acima da média a alto grau de sofisticação e luxo. O UOL Carros selecionou modelos das marcas Audi, Dodge, Mercedes-Benz e Nissan para fazer um panorama do que a indústria oferece neste segmento.

Cláudio de Souza / UOL
O Audi R8 tem 420 cv, um design intimidante e chega a 300 km/h
OUTRAS FOTOS DE CARROS PARA VOAR NA PISTA


Audi

A marca alemã dos quatro aros faz em Detroit a estréia mundial do TTS, disponível nas versões roadster e cupê (mas só esta foi exposta no salão). Também exibiu um conceito, o R8 V12 TDI, baseado no R8 -- além do próprio R8. Lançado em Frankfurt em setembro de 2007, esse último é um velocista nato. Inspirado no carro campeão da prova de Le Mans e parceiro de plataforma com o Lamborghini Gallardo, o R8 talvez seja a grande estrela do estande da fábrica alemã em Detroit.

De visual extremamente agressivo, marcado pela enorme grade frontal negra e os (também grandes) coletores de ar sob os faróis (que têm quase o mesmo desenho dos da "tia" Volkswagen, mas bem mais afilados e contornados por LEDs), o R8 -- que deve ganhar este ano uma versão conversível, autenticamente roadster -- possui características peculiares, como o motor centralizado e resguardado por um capô transparente, praticamente encostado no habitáculo: ele viaja como se fora um terceiro passageiro, quase literalmente no ouvido do motorista.

Generosas rodas de alumínio de 19", com cinco raios duplos, harmonizam com a peça que demarca a entrada de ar na coluna B. Atrás, mais grades negras sob as lanternas, e dois escapes duplos.

O interior do R8 é quase um escândalo. Dotado de bancos de couro marrom envolventes e macios na medida certa (ou pelo menos ao gosto de UOL Carros), ele enche os olhos com dezenas de comandos no painel e console, além do volante de base reta, para acomodar melhor o motorista e agregar ainda mais esportividade.

Entre os destaques para quem o põe para rodar está a transmissão, que pode ser automatizada de seis velocidades, com mudanças num câmbio curto tipo joystick ou nas borboletas atrás do volante (há também a opção manual de seis marchas). O R8 é dotado de motor oito cilindros, com 4.2 litros de capacidade, o qual gera 420 cavalos, suficientes para levá-lo de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos e atingir a velocidade máxima de 300 km/h. Seu preço nos EUA é de US$ 109 mil, sem contar impostos e taxas.


Dodge

O roadster da marca norte-americana afiliada à Chrysler é o quase irreal Viper SRT10. O conversível é baixo (cerca de 1,20 metro, com distância ao solo de 13 cm) e repleto de tomadas e saídas de ar, além de escapes laterais, logo antes das rodas -- que podem ser de 18 ou 19 polegadas. Mas o barulho que esse carro faz está mesmo debaixo do capô.

Cláudio de Souza / UOL
O motor 8.4 litros é a maior arma do Viper SRT10
O trem de força do Viper SRT10 é um monstruoso 8.4 litros de dez cilindros, capaz de gerar 600 cavalos de potência (esse modelo 2008, já conhecido como a quarta geração do carro, possui 90 cavalos extras), o que permite acelerar o veículo de 0 a 100 km/h em "menos de quatro segundos", como afirma a Dodge (sem dar o tempo exato, mas um teste independente apontou 3,6 segundos). A velocidade máxima fica em torno de 315 km/h.

Por dentro, salta aos olhos a abundância de instrumentos: são nada menos do que sete indicadores analógicos no painel, quatro deles na borda do console (há tacômetro e marcador de pressão do óleo). Como diz a Dodge, é um cockpit feito para "enciumar piloto". O câmbio é manual (como, aliás, sempre deve ser num roadster que se preze) e de seis marchas, com cada uma delas alongada em 10% na versão 2008, para que o motorista pise bem fundo antes de fazer uma troca. A suspensão é independente nas quatro rodas. Um carro como esse começa em US$ 85.895 nos Estados Unidos (sem contar impostos e taxas).

Cláudio de Souza / UOL
Nova geração do SLK mudou cerca de 650 componentes
OS ROADSTERS DE DETROIT


Mercedes-Benz

A marca alemã mostra em primeira mão em Detroit a nova geração do roadster SLK, exibidas aqui nas versões 55 e 350, ambas com teto rígido retrátil. Segundo a fábrica, os modelos 2008 trazem 650 novos componentes. As primeiras unidades da gama surgiram em 1996.

A remodelação externa buscou dar aos SLK um formato de "flecha" (palavra da Mercedes), reforçando o caráter esportivo do veículo. O desenho da traseira e os escapes hexagonais ajudam nessa tarefa. O espaço interior foi otimizado para o motorista sentir-se ainda mais envolvido na experiência de pilotar -- e estar num desses SLK é mesmo como estar no cockpit de um carro de competição, com a diferença de haver muito mais conforto.

O SLK 350 ganhou um motor de seis cilindros em V, enquanto o SLK 55 manteve o propulsor de oito cilindros da geração anterior. No caso do V6, a fábrica trabalhou para que ele ganhasse um "ruído esportivo", para "aumentar a emoção". São 3.5 litros de capacidade, entregando 305 cavalos (33 cv a mais que o motor anterior). O SLK 350 vai de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos, e tem sua velocidade máxima limitada a 250 km/h. De acordo com a Mercedes, todo esse desempenho cobra um consumo de cerca de 10 km/l -- e uma emissão de CO2 de cerca de 220 g/km (a Europa determina 120 g/km como o máximo aceitável). O modelo custa cerca de R$ 323 mil no Brasil.

Já o SLK 55 possui um grande propulsor V8 de 5.5 litros, gerador de 360 cavalos. Claro, vai mais rápido de 0 a 100 km/h: 4,9 segundos. A velocidade também é limitada eletronicamente a 250 km/h. O consumo é maior: cerca de 8 km/l, com a exagerada emissão de 289 gramas de CO2 por quilômetro rodado. Quanto ao seu novo design, a Mercedes-Benz diz que procurava uma "aura masculina". Achou: as "testosteronizadas" rodas de 18 polegadas que o digam. Este carro custa, no Brasil, cerca de R$ 325 mil.

Cláudio de Souza / UOL
O Nissan 350Z é mais discreto e barato em relação aos concorrentes

Nissan

As atenções no estande da marca japonesa estavam voltadas para o GT-R, superesportivo que está chegando aos EUA este ano. Mas o roadster 350Z, talvez o mais discreto de todos os citados até aqui, merece mais que ficar em segundo plano.

Mais contido que seus "colegas", esse conversível possui um motor V6 de 3.5 litros e 24 válvulas, o qual é capaz de produzir respeitáveis 306 cavalos e levar o carro à velocidade máxima de 250 km/h. O trem de força inclui ainda transmissão manual (e curta, diz a Nissan) de seis velocidades, ou então automatizada de cinco marchas.

As formas mais arredondadas dão graça ao 350Z, que possui alguns detalhes externos e internos bem curiosos: por exemplo, há uma saída do ventilador e ar-condicionado em cada porta, apontadas para motorista e passageiro; e as maçanetas externas são verticais, harmonizando com as lanternas dianteiras, também verticais e integradas ao pára-choque.

A traseira bojuda e sem pára-choque, arrematada pela luz de ré separada das demais, é outra característica bem marcante do 350Z. Este carro começa, nos Estados Unidos, US$ 35.630, sem incluir impostos e frete. No Brasil, o papo inicia em cerca de R$ 235 mil.


Cláudio de Souza/UOL
Cláudio de Souza/UOL
Reuters
Cláudio de Souza/UOL