Conheça os objetivos e regras ainda por definir no acordo do clima

Paris, 21 Abr 2016 (AFP) - O acordo de Paris fixou um marco geral para lutar contra o aquecimento global, deixando muitos pontos em suspenso sobre os objetivos de elevação da temperatura, do limite de emissões ou sobre a ajuda financeiras.

OBJETIVOSA comunidade internacional se comprometeu a limitar a alta da temperatura abaixo da meta anterior, de 2º C, e manter os esforços para alcançar o objetivo de 1,5º C.

A menção de 1,5º C foi uma luta dos países pobres e dos estados insulares, os mais expostos às mudanças climáticas. Mas os especialistas duvidam de sua viabilidade.

Para não superar os 2°C, o IPCC, a autoridade científica sobre o clima, considera que seria preciso reduzir as emissões como mínimo entre 40% e 70% antes de 2050.

A dificuldade vem também do fato de que não existe um objetivo obrigatório por país: o acordo indica somente que os países buscam uma "limitação das emissões no prazo mais curto" e "reduções rápidas a continuação".

Para encontrar um equilíbrio entre emissões e absorção de gases de efeito estufa há duas correntes: quem aposta no fim das energias fósseis e quem defende o desenvolvimento da técnica de captação e armazenamento de CO2 para poder explorá-los.

REVISÃO DOS COMPROMISSOSDos 195 países, 189 anunciaram medidas para reduzir suas emissões antes de 2025 ou 2030: esses compromissos evitariam a elevação entre 4º C e 5º C no planeta se não houvesse políticas climáticas, mas colocariam a perigosa trajetória de alcançar os 3º C. Daí, a necessidade de revisar os compromissos nacionais.

No entanto, a primeira revisão está prevista para 2025, uma data muito tardia para respeitar o objetivo dos 2º C.

Por isso, em 2018, está prevista a organização de um encontro para fazer um balanço coletivo, no qual se convidará os países a atualizar seus compromissos para 2020 e vai se requerer que comuniquem antes desse ano sua estratégia para diminuir suas emissões de carbono até 2050.

TRANSPARÊNCIAO acordo de Paris prevê que os países se atenham às mesmas regras de inventário de suas emissões e de suas ações, apesar de estar prevista uma certa flexibilidade, segundo a capacidade dos países.

A transparência diz respeito à ajuda financeira aos países do sul por parte dos países do norte, que devem prestar contas de seu apoio a cada dois anos.

AJUDA FINANCEIRAEm 2009, os países ricos prometeram que sua ajuda aumentaria a 100 bilhões de dólares por ano em 2020 para financiar a transição energética. O debate sobre as ajudas continua em aberto.

Aposta-se primeiro em um equilíbrio entre a adaptação (ao impacto do aquecimento) e à atenuação (redução das emissões).

Segundo a OCDE, só se destina 16% das ajudas à adaptação.

Além dos países desenvolvidos, foi pedido a vários emergentes (como China, Coreia do Sul ou Cingapura) que ajudem com um apoio financeiro.

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