A taxa de suicídios nos EUA aumentou 24% desde 1999

Miami, 22 Abr 2016 (AFP) - A taxa de suicídios nos Estados Unidos cresceu 24% entre 1999 e 2014, com um aumento preocupante no grupo de meninas com idades entre 10 e 14 anos, segundo estatísticas divulgadas na sexta-feira pelo governo.

O aumento ocorreu "tanto entre os homens como entre as mulheres de todas as idades, de 10 a 74 anos", segundo os dados, registrados pelas autoridades sanitárias.

No entanto, o maior aumento foi entre as meninas de 10 a 14 anos, cuja taxa de suicídio triplicou: passou de 0,5 por 100.000 habitantes em 1999 a 1,5 para cada 100.000 em 2014. No total, 150 meninas dessa faixa etária se suicidaram em 2014, um aumento de 200% em relação a 1999.

"Constatamos que crianças cada vez mais jovens estão se suicidando", afirma Victor Fornari, diretor da divisão de psiquiatria para crianças e adolescentes no hospital Zucker Hillside, perto de Nova York.

"Acredito que isso pode ter a ver com o acesso às redes sociais e à internet, e com o assédio no espaço virtual; os jovens hoje estão expostos a mais coisas que no passado", disse à AFP o especialista, que não participou da pesquisa.

A taxa de suicídios de meninos de entre 10 e 14 anos continua sendo superior à das meninas da mesma idade, mas não teve um crescimento tão acentuado. Passaram de 1,9 a 2,6 por 100.000 habitantes, o que representa um aumento de 37% no período estudado.

Doenças mentaisEntre os homens, a taxa mais alta foi entre maiores de 75 anos, um dado que se manteve inalterado entre 1999 e 2014.

A segunda faixa etária com maior risco entre os homens é a de entre 45 e 64 anos, na qual os suicídios aumentaram 43% desde 1999 (de 20,8 a 29,7 para cada 100.000 habitantes).

Entre as mulheres, a maior taxa foi nesta faixa etária (45 a 64 anos). Neste grupo, a taxa de suicídios foi a segunda que mais aumentou (63%), passando de 6,0 a 9,8 para cada 100.000 mulheres desta idade.

O estudo destaca a diferença cada vez menor na taxa de suicídios entre homens e mulheres, causada por um aumento global de 46% no segundo grupo. Apesar dessa tendência, os homens continuam sendo três vezes mais propensos a pôr fim à própria vida.

Os homens se suicidam principalmente com armas de fogo (55,4% dos casos), enquanto o envenenamento continua sendo o método mais usado pelas mulheres (34,1%).

Os novos dados levaram os especialistas em saúde mental a pedir mais esforços na prevenção dos suicídios.

"A grande maioria das pessoas que se suicidam sofrem alguma doença mental, como esquizofrenia, transtornos bipolares, dependência de certas substâncias ou depressão", afirmou Jeffrey Borenstein, presidente da Fundação para a Investigação sobre o Cérebro e o Comportamento.

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