Pesquisadores criam 'segunda pele' que elimina rugas e bolsas nos olhos

Em Miami

  • Reprodução/Nature Materials

    À esq., material capaz de imitar a pele natural reduz aparência de bolsas nos olhos

    À esq., material capaz de imitar a pele natural reduz aparência de bolsas nos olhos

Cientistas norte-americanos desenvolveram um material de polímero transparente que reduz temporariamente a flacidez da pele e elimina bolsas nos olhos, segundo uma pesquisa publicada nesta segunda-feira no periódico especializado Nature Materials.

Não há previsão de quando o produto estará disponível para a venda, segundo pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Eles ressaltam que o material pode vir a oferecer não só benefícios cosméticos, mas também proteger peles sensíveis de eczemas e dermatite.

"É uma camada invisível que pode funcionar como uma barreira, oferecer melhorias cosméticas, e potencialmente aplicar medicamentos na área que esteja sendo tratada", disse o pesquisador Daniel Anderson, professo-adjunto no departamento de Engenharia Química do MIT.

"Essas três coisas juntas podem fazer com que o produto seja ideal para o uso em humanos", acrescentou.

Cientistas vêm desenvolvendo esse tipo de polímero, capaz de imitar as propriedades da pele natural, há cerca de cinco anos, mas até agora os resultados tinham sido pouco eficazes, segundo o artigo.

Os pesquisadores disseram que o novo produto, chamado de "camada de polímero reticulado" ou XPL, funciona melhor do que as opções disponíveis atualmente para curativos - folhas de gel de silicone e películas de poliuretano.

"Criar um material que se comporta como a pele é muito difícil", disse a coautora do estudo Barbara Gilchrest, dermatologista no Hospital Geral de Massachusetts.

"Muitas pessoas tentaram fazer isso, e os materiais que estiveram disponíveis antes deste não tinham as propriedades de serem flexíveis, confortáveis, não irritáveis e capazes de se adaptarem ao movimento da pele e retornar à sua forma original".

A equipe de pesquisa incluiu o MIT, o Hospital Geral de Massachusetts e pesquisadores de duas empresas, conhecidas como Living Proof e Olivo Labs - esta última, com o objetivo de desenvolver e comercializar essa tecnologia.

O polímero à base de silicone pode ser aplicado numa camada fina sobre a pele em um processo de duas etapas.

"Primeiro, componentes de polisiloxano são aplicados sobre a pele, seguido por um catalisador de platina, que induz o polímero a formar uma camada resistente e reticulada, que fica sobre a pele durante 24 horas", disse o estudo.

"Ambas as camadas são aplicados como cremes ou pomadas, e uma vez espalhadas sobre a pele, o XPL se torna invisível".

Testes em seres humanos mostraram que o produto poderia remodelar a pele flácida envolta dos olhos por cerca de 24 horas, e deixá-la mais hidratada.

Usos futuros podem incluir o uso da "segunda pele" para a proteção contra o sol e os raios ultravioletas, disseram os pesquisadores.

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