Cinco curiosidades sobre o telescópio Kepler, que descobriu mais de mil exoplanetas

Washington

  • Nasa/Divulgação

    Telescópio espacial Kepler

    Telescópio espacial Kepler

A Nasa anunciou na terça-feira a descoberta de 1.284 novos exoplanetas - planetas situados fora do nosso Sistema Solar -, que foram encontrados através do instrumento de observação ideal que constitui o telescópio espacial Kepler.

Lançado no dia 6 de março de 2009 e batizado em homenagem ao matemático alemão Johannes Kepler (1571-1630), este telescópio extremamente potente, que tem 4,7 metros de altura e 2,7 de largura e pesa mais de uma tonelada, procura planetas onde a vida seria possível, como na Terra.

- Como o Kepler funciona?

O Kepler aponta constantemente para um mesmo grupo de 150.000 estrelas, nas constelações de Cygnus e Lyra, na Via Láctea. Detecta os planetas através da observação de uma diminuição temporária do brilho das estrelas que vigia. Quando um planeta passa na frente da sua estrela, como Mercúrio fez diante do Sol na segunda-feira, por exemplo, a luz da estrela parece diminuir levemente. O Kepler pode perceber inclusive variações muito sutis de brilho, que indicam a presença de um planeta. O telescópio é tão poderoso que, se apontasse para a Terra durante a noite, poderia notar a mudança no brilho quando alguém acende uma luz na varanda de uma casa em uma cidade pequena.

- A maior câmera fotográfica no espaço

Para observar as estrelas que vigia, o Kepler dispõe de uma lente frontal de 1,4 metro de diâmetro, colocada diante de sensores digitais, como em uma câmara fotográfica. Estes sensores acoplados entre si fazem com que o Kepler conte com uma superfície sensível de 95 milhões de pixels, o que o converte na maior câmera fotográfica já lançada no espaço. Estes sensores fazem registros de forma contínua, e transmitem suas enormes quantidades de dados aos cientistas da Nasa na Terra, aproximadamente uma vez por mês.

- À beira da catástrofe

Esta maravilha tecnológica já falhou... duas vezes! Na primeira vez, duas das quatro rodas de reação, que mantém o telescópio estável e o permitem apontar para uma determinada direção no espaço, pararam de funcionar, a primeira em julho de 2012, e a segunda no início de 2013. Os pesquisadores da Nasa conseguiram resolver o problema, mas tiveram que mudar a missão original do telescópio, de modo que ele deixou de apontar para o grupo de estrelas que observava desde o início e passou a realizar campanhas de observação no âmbito de uma missão chamada K2.

No mês passado, uma segunda falha fez com que os pesquisadores temessem o pior. Pela primeira vez, o aparelho entrou em modo de emergência, limitando as suas funções às necessárias para sobreviver, e registrou múltiplas falhas simultâneas. Tratava-se, na verdade, de um problema informático que os engenheiros da NASA conseguiram resolver. Embora ainda não se saiba o que causou o problema, o telescópio voltou a funcionar normalmente.

- O que o Kepler descobriu até agora?

Dos quase 5.000 exoplanetas potenciais descobertos até hoje, mais de 3.200 foram confirmados. Entre eles, 2.325 foram descobertos pelo Kepler.

Após a última leva de dados decifrados pela NASA, foi anunciado, na terça-feira, que o Kepler tinha identificado 4.302 possíveis planetas. Há mais de 99% de certeza de que 1.284 deles sejam realmente exoplanetas; os outros 1.327 provavelmente também o são, mas requerem análises adicionais.

As análises do Kepler permitiram também validar outros 984 exoplanetas que foram detectados por outros meios.

- Quanto tempo dura a missão do Kepler?

Lançada em 2009, a missão original do Kepler deveria durar três anos e meio, com uma eventual prorrogação por outros dois anos. Desde a falha em 2013, porém, o telescópio é utilizado como parte da missão K2, prevista para terminar em 2017 ou 2018.

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