Excesso de peso hoje é menos perigoso do que era em 1970 (estudo)

Miami, 10 Mai 2016 (AFP) - O excesso de peso pode não ser mais tão perigoso quanto era nos anos 1970, pelo menos quando se trata de risco de morte - segundo um estudo publicado na terça-feira no Journal of the American Medical Association (JAMA).

"Comparando com os anos 1970, os indivíduos com sobrepeso de hoje têm uma taxa de mortalidade mais baixa do que os chamados indivíduos com o peso normal", disse o professor clínico Borge Nordestgaard, da Universidade de Copenhague e do Hospital Universitário de Copenhague.

"O motivo para essa mudança é desconhecido", acrescentou.

O estudo se baseou em mais de 100.000 pessoas na Dinamarca, divididas em três períodos (1976-1978, 1991-1994 e 2003-2013), nos quais seu risco de morrer por qualquer causa foi analisado.

Hoje, os médicos definem a faixa normal do IMC (calculado com base no peso dividido pela altura ao quadrado) entre 18,5 e 24,9.

O IMC entre 25 e 29,9 é considerado sobrepeso, enquanto acima de 30 é considerado obesidade.

Nos anos 1970, o IMC com o menor risco de morte era 23,7.

Esse número equivale a um homem de 1,83 metro de altura que pesa 77 quilos, ou a uma mulher de 1,65 metro que pesa 65 quilos.

Entre 1991 e 1994, o IMC ideal subiu para 24,6.

E, entre 2003 e 2013, passou para 27.

Comparado com o primeiro período analisado, isso equivaleria a 14 quilos a mais em um homem de 1,83 metro e nove quilos a mais em uma mulher de 1,65 metro.

Os pesquisadores também descobriram que, em 1970, os obesos eram mais propensos a morrer do que as pessoas com o peso normal. Segundo os cientistas, essa associação desapareceu na década de 2000.

"O aumento do risco de mortalidade associado à obesidade em comparação com o peso normal passou de 30%, entre 1976 e 1978, para 0%, entre 2003 e 2013", disse o autor principal do estudo, Shoaib Afzal, do Hospital Universitário de Copenhague.

Autoridades de saúde vêm alertando há muito tempo sobre os riscos de estar acima do peso, que incluem diabetes e doenças cardiovasculares.

Nordestgaard disse que os resultados atuais sugerem "uma necessidade de revisar as categorias atualmente usadas para definir o sobrepeso, que são baseadas em dados anteriores a 1990".

Especialistas advertiram, porém, que não está claro qual é o mecanismo biológico por trás da nova descoberta e que os resultados não deveriam ser interpretados de modo a sugerir que as pessoas podem parar de se preocupar com o que comem.

Segundo o professor de Medicina Metabólica Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, o estudo é "de interesse" público, mas não justifica uma mudança em relação aos alertas sobre a obesidade e sobre a prevenção de quilos extras.

"Nos últimos anos, enquanto as populações se tornam mais obesas e com maior disponibilidade de medicamentos preventivos baratos, mais desses indivíduos são suscetíveis a serem mais bem tratados de problemas relativos à pressão arterial, ao colesterol e ao diabetes do tipo 2, o que leva a riscos mais baixos de morte", comentou o professor Sattar, que não participou do estudo.

"Em outras palavras, os resultados não significam que estar acima do peso protege você da morte - longe disso. Muitos fatores confusos podem ter levado ao resultado atual, e há muitos outros estudos que mostram que estar acima do peso, ou obeso, aumenta os riscos de morte e de outras doenças", acrescentou.

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