Acionistas da ExxonMobil e da Chevron votam contra medidas climáticas

Nova York, 25 Mai 2016 (AFP) - Os acionistas da ExxonMobil e da Chevron rejeitaram, na quarta-feira, propostas para combater as mudanças climáticas, uma má notícia para os ambientalistas, cuja pressão sobre as duas gigantes do petróleo começava a dar frutos.

Em sua reunião anual em Dallas (Texas), apenas 38,2% dos acionistas da ExxonMobil votaram a favor de um resolução, pedindo à empresa que avaliasse o impacto financeiro das políticas públicas ambientais sobre sua atividade, após o acordo de Paris sobre o clima.

Na Chevron, 41% dos acionistas reunidos em San Ramon, na Califórnia, apoiaram a resolução. Em ambos os casos, o resultado é um avanço enorme em relação aos anos anteriores, nos quais tais propostas foram rejeitadas por muito mais votos.

Outra resolução que pretendia obrigar ambas as petroleiras a aderirem à política que busca limitar o aquecimento global a 2º C recebeu apenas 18,5% dos votos dos acionistas da Exxon, e 8% dos da Chevron.

Também foi rejeitada a proposta de nomear um especialista em clima para os conselhos de administração de ambas as empresas.

A Exxon e a Chevron haviam recomendado aos seus acionistas que se opusessem a essas resoluções, apresentadas por fundos de pensões americanos e britânicos e apoiadas por acionistas importantes, como o fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, os bancos europeus BNP Paribas, Natixis e HSBC e as seguradoras Axa e Aegon.

A ExxonMobil e a Chevron continuam sendo os dois maiores produtores de petróleo do mundo a resistir às pressões dos defensores do meio ambiente, já que seus principais rivais europeus BP, Royal Dutch Shell e Statoil aprovaram medidas de combate às mudanças climáticas.

O presidente-executivo da ExxonMobil, Rex Tillerson, disse que a empresa reconhece a importância das mudanças climáticas, mas que se opõe a soluções que considera irrealistas.

"Não estamos ignorando o risco existente", disse Tillerson. "Estamos baseados na realidade do mundo de hoje ... e na realidade da tecnologia atual", acrescentou.

"Até que vejamos (uma mudança tecnológica), fechar as torneiras não é viável para a humanidade", insistiu Tillerson.

Patricia Daly, uma religiosa americana cuja congregação é acionista da ExxonMobil, disse que a empresa estava falhando em seu dever de mostrar "liderança moral" em um dilema crucial de energia do século XXI.

"Enquanto o mundo avança, a ExxonMobil continua parada", reclamou Daly.

"Décadas foram perdidas por causa da campanha deliberada de desinformação da nossa empresa", criticou a religiosa.

Os defensores da medida disseram que o nível de apoio entre os acionistas foi alto o suficiente para chamar a atenção das companhias de petróleo.

"Um número significativo de acionistas da Exxon quer que a empresa tome uma atitude em relação às mudanças climáticas", comentou Pete Grannis, fiscal da Controladoria do estado de Nova York, um dos promotores das propostas.

"A Exxon tem o dever de explicar aos seus acionistas como pode adaptar suas atividades, de modo a responder aos esforços globais para reduzir o consumo de combustíveis fósseis", completou Grannis.

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