Últimos objetos pessoais de judeus mortos em Auschwitz são devolvidos a museu

  • Pawel Sawicki/Museum Auschwitz/AFP Photo

    Xícara quebrada encontrada em 1967. Ela pertenceu a um dos milhares de judeus mortos em Auschwitz

    Xícara quebrada encontrada em 1967. Ela pertenceu a um dos milhares de judeus mortos em Auschwitz

Varsóvia, 7 Jun 2016 (AFP) - Cerca de 16.000 objetos levados pelos judeus nas câmaras de gás no campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, encontrados em 1967 durante escavações e desaparecidos desde então, foram reencontrados para serem entregues ao museu do campo, informou nesta terça-feira a instituição.

"Na maioria dos casos, trata-se do último objeto pessoal que os judeus (...) enviados para a morte nas câmaras de gás carregaram consigo. Há, entre outros, termômetros, garrafas de medicamento ou perfume, fragmentos de sapatos, talheres, relógios, pincéis, isqueiros...", informou o museu em um comunicado.

Pawel Sawicki/Museum Auschwitz/AFP Photo
Na foto, um relógio de bolso encontrado em 1967 próximo ao crematório nº 3

Os objetos foram descobertos no outono de 1967, durante escavações perto das ruínas das câmaras de gás e do crematório número 3.

"Eles certamente foram submetidos a análise, talvez alguém queria dedicar um estudo científico. (...) Alguns meses mais tarde, em 1968, uma virada política aconteceu e o governo comunista adotou uma linha abertamente antissemita. Este é provavelmente o motivo que levou ao não prosseguimento do projeto", indicou Piotr Cywinski, diretor do museu.

Depois de vários meses de investigação, o museu reencontrou os objetos armazenados em 48 caixas no Instituto de Arqueologia e Etnologia da Academia Polonesa de Ciências, em Varsóvia.

A maioria dos objetos estavam em embalagens individuais com uma descrição precisa, com a data exata e local de sua descoberta. Eles foram devolvidos ao museu em 3 de junho.

Entre 1940 e início de 1945, a Alemanha nazista exterminou em Auschwitz-Birkenau cerca de 1,1 milhão de pessoas, incluindo um milhão de judeus de vários países europeus.

Este campo, onde cerca de 80.000 poloneses não-judeus, 25.000 ciganos e 20.000 soldados soviéticos também morreram, foi libertado pelo Exército Vermelho em janeiro de 1945.

O museu, criado pelo governo polonês em 1947, abriga vários milhares de objetos pertencentes a ex-prisioneiros, 4.000 malas, dezenas de milhares de sapatos, escovas, ou utensílios de cozinha, dos quais apenas uma parte está exposta.

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