EUA: diretriz para diagnóstico de diabetes exclui metade de pacientes de risco

Miami, 12 Jul 2016 (AFP) - Mais da metade das pessoas com alto risco de diabetes não se enquadram nas diretrizes atuais para diagnóstico da doença nos Estados Unidos, incluindo muitos afro-americanos, hispânicos e pessoas que não estão acima do peso, segundo estudo publicado na revista científica PLOS Medicine nesta terça-feira.

As diretrizes do governo, emitidas no ano passado, falham em incluir 55% das pessoas com pré-diabetes ou diabetes, disse o estudo realizado pelo instituto Northwestern Medicine, em Chicago.

As diretrizes de 2015, criadas pela Força-tarefa de Serviço Preventivo dos Estados Unidos (USPSTF), recomendam que as pessoas com entre 40 e 70 anos que estão acima do peso ou obesas façam exames para diabetes.

"Nós estávamos interessados em fazer este estudo por causa de tendências populacionais que mostram que as minorias raciais e étnicas estão desenvolvendo diabetes com idades mais jovens e pesos mais baixos que os brancos", disse o autor sênior Matthew O'Brien, professor assistente de medicina na Universidade Northwestern.

As conclusões se baseiam em dados de registos eletrônicos de saúde de mais de 50.000 pacientes adultos em centros de saúde comunitários do centro-oeste e sudoeste dos Estados Unidos, entre 2008 e 2013.

Apenas metade dos pacientes afro-americanos que apresentaram níveis anormais de glicose no sangue - condição conhecida como disglicemia - preencheram os critérios de triagem, assim como 37% dos pacientes hispânicos.

"Digamos que eu estou cuidando de uma mulher latino-americana de 32 anos de idade e obesa, com histórico familiar de diabetes e que teve diabetes gestacional em uma gravidez anterior", disse O'Brien.

"Ela não deve ser examinada, de acordo com as orientações, mas ela é muito propensa a ter pré-diabetes ou diabetes", completou.

As diretrizes também têm implicações financeiras para os pacientes.

Sob a lei do sistema de saúde do presidente Barack Obama, o Affordable Care Act, todos os serviços recomendados pelo USPSTF devem ser totalmente cobertos pelos seguros.

Mas se um paciente não se enquadra nos critérios das diretrizes, ele pode ter que pagar por um exame de diabetes.

Aqueles que passaram despercebidos pelas diretrizes podem vir a desenvolver diabetes ou complicações, incluindo ataque cardíaco e derrame cerebral.

"Ao relatar a eficácia limitada deste programa de triagem, este estudo levanta preocupações sobre a utilidade do programa, particularmente entre grupos minoritários étnicos e raciais", disse o estudo.

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