Laboratório argentino se une à busca de vacina contra o zika

Buenos Aires, 25 Ago 2016 (AFP) - Um laboratório argentino se associou com um fabricante farmacêutico americano que trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra o zika, entrando assim na luta contra o vírus que fez estragos no Brasil, seu vizinho latino-americano.

"O zika é uma das doenças que têm chances de ter uma vacina eficaz em um prazo de quatro ou cinco anos", afirmou nesta quinta-feira Hugo Sigman, fundador do Grupo Insud, que é acionista da Sinergium Biotech, instalação argentina de produção de vacinas e biotecnológicos.

Outras pesquisas nos Estados Unidos consideram que poderia haver uma vacina já em 2018.

O laboratório argentino anunciou a criação de um consórcio com a Protein Sciences Corporation, fabricante da vacina antigripal Flublok®, com sede em Connecticut (leste dos Estados Unidos), e a fundação Mundo Sano, presente na Argentina, Espanha e África, para desenvolver uma vacina contra o vírus zika.

A vacina se baseará na produção de variantes recombinantes da proteína E do zika, que demonstrou sua capacidade de neutralizar vírus como o do Nilo Ocidental e a encefalite japonesa, explicaram os laboratórios implicados em um comunicado.

Manon Cox, presidente da Protein Sciences, disse que a empresa começou a desenvolver uma vacina em fevereiro e "já está enviando modelos de vacinas para testes clínicos".

"A proximidade da Sinergium com o surto do vírus abre canais de acesso que de outro modo seriam inacessíveis", acrescentou Cox.

Silvia Gold, presidente da Mundo Sano, considera esta aliança com participação na América Latina um avanço "após mais de 20 anos de trabalho na prevenção de doenças desatendidas, em especial as transmitidas por vetores".

Não existe, até o momento, nenhum tratamento para o zika, que na maioria dos casos passa despercebido ou provoca apenas sintomas brandos, e não pode infectar mais de uma vez a mesma pessoa.

O vírus é, porém, particularmente perigoso para as mulheres grávidas, visto que pode causar malformações congênitas em fetos em desenvolvimento, como a microcefalia.

O último surto deste vírus, que é transmitido principalmente pelo mosquito Aedesaegypti, mas também por contato sexual, apareceu na América Latina em 2015 e se estendeu rapidamente pela região.

O Brasil é o país mais afetado, com cerca de 1,5 milhão de infectados e mais de 1.700 casos de microcefalia.

Uma dezena de grupos farmacêuticos, como o francês Sanofi Pasteur, trabalham em uma vacina contra o zika, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) calculam que mais de 50 países e territórios, em sua grande maioria na América Latina e no Caribe, estão em zona de risco de transmissão ativa do vírus.

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