Buracos negros se escondem atrás de suas emissões nos centros das galáxias

Santiago, 15 Set 2016 (AFP) - Os centros das galáxias abrigam buracos negros supermaciços, em forma de pneu, que podem alcançar até milhares de milhões de massas solares e que estão escondidos atrás dos gases que expelem - revelou nesta quinta-feira (15) o radiotelescópio ALMA, localizado no norte do Chile.

Muitos desses mastodontes galácticos estão escondidos dentro de espessos anéis de poeira e gás conhecidos como "toroides", afirmaram os responsáveis do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), em um comunicado.

Para os astrônomos, essa fonte cósmica de poeira e de gás frio recém-descoberta pode lançar novas luzes sobre a forma como os buracos negros incidem em sua galáxia e, possivelmente, no meio intergaláctico.

"Pensemos no buraco negro como um motor. Seu combustível é o material que flui em direção a ele, partindo de um disco plano de poeira e gás", explica o astrônomo Jack Gallimore, da Universidade Bucknell, em Lewisburg (Pensilvânia, Estados Unidos), autor principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, citado no comunicado do ALMA.

"Pela primeira vez, podemos ver que é o gás expelido que esconde o buraco negro, e não o gás que entra", completa o texto.

Isso indica que a teoria geral sobre os buracos negros ativos é simplista demais, afirma Gallimore.

Os cientistas chegaram a essas conclusões com as observações do buraco negro da galáxia NGC 1068, também conhecida como Messier 77, as quais permitiram determinar que essa é a fonte de seu próprio toroide de poeira e gás.

No centro dessa galáxia, situada a cerca de 47 milhões de anos-luz da Terra, há um núcleo galáctico ativo, um buraco negro supermaciço que está sendo alimentado por um fino disco giratório de poeira e gás, conhecido como disco de acreção.

À medida que o disco flui em espiral em direção ao buraco negro, o material que o compõe se torna extremamente quente e emite uma intensa radiação ultravioleta, enquanto as zonas externas do disco se mantêm consideravelmente mais frias e emitem um brilho mais visível, em longitudes de onda infravermelhas e milimétricas, detectou o ALMA.

Uma equipe internacional de astrônomos usou o ALMA para perscrutar a zona e descobriu um grupo de nuvens frias de monóxido de carbono se desprendendo da parte externa do disco de acreção.

A energia quente da parte interna do disco ioniza parcialmente essas nuvens e, dessa forma, permite sua adesão a intensas linhas de força que rodeiam o disco.

No futuro, os astrônomos esperam determinar o consumo do buraco negro, ou seja, quanta massa absorve e quanto gás descarta, o que permitirá "entender o funcionamento de buracos negros sobre os quais pouco sabemos até o momento", conclui Gallimore.

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