EUA: estudo relaciona leis de armas mais rígidas à queda de homicídios

Washington, 15 Nov 2016 (AFP) - Leis mais estritas para controlar a circulação de armas de fogo estão relacionadas com uma redução do número de homicídios nos Estados Unidos - conclui uma análise de mais de 30 estudos publicados desde 1970 sobre esse polêmico assunto.

"Comprovamos que leis mais estritas na regulação das armas de fogo nos estados (americanos) coincidem com uma redução nos homicídios por esse tipo de arma", afirmou a médica Lois Lee, do Hospital Infantil de Boston (Massachusetts), e professora da Faculdade de Medicina de Harvard.

Lee é a principal autora do trabalho divulgado hoje no Journal of American Medical Association (JAMA), que publicou uma série de estudos sobre o tema das armas de fogo. O assunto é alvo de acalorado debate no país, onde o poderoso lobby Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) se opõe a qualquer regulação obrigatória em nome do direito constitucional dos cidadãos americanos de estarem armados.

"As leis que teriam maior incidência parecem ser aquelas que melhoram o controle dos antecedentes penais de um comprador potencial e que exigem uma permissão para comprar uma arma de fogo", completou a doutora Lee.

Além do impacto dessas duas medidas, muitos desses 34 estudos também examinaram o efeito de outras regulações sobre armas de fogo, como as medidas contra o tráfico, ou as que buscam restringir a posse de armas em lugares públicos, melhorar a segurança para as crianças, ou até mesmo proibir a venda de armas de assalto.

Essas últimas leis, ou regulações, não parecem ter efeitos claros nas taxas de homicídio, concluem os autores.

De acordo com as estatísticas do Departamento americano de Justiça, cerca de 11.385 pessoas morreram por ano em média nos Estados Unidos vítimas de armas de fogo entre 2001 e 2011, sem contar os suicídios.

Em 2015, houve 372 tiroteios em massa no país, os quais deixaram 475 mortos e 1.870 feridos.

Os autores apontam, porém, que muitos desses estudos não mediram o impacto de várias leis em períodos suficientemente longos para poder apreciar o impacto total.

Apesar dessas limitações, os resultados dessas análises confirmam as conclusões de um estudo realizado em 2013 pelos mesmos pesquisadores. Nele, estados que têm as leis mais rígidas sobre armas de fogo registraram as quedas mais acentuadas de vítimas letais por armas de fogo - fora homicídio, ou suicídio.

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