Matéria escura é menos densa e mais uniforme do que se pensava, diz estudo

Em Paris

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    Lentes gravitacionais mostram a matéria escura em amarelo e rosa, em imagem divulgada pelo Estudo da Lente Telescópio Canadá-França-Havaí

    Lentes gravitacionais mostram a matéria escura em amarelo e rosa, em imagem divulgada pelo Estudo da Lente Telescópio Canadá-França-Havaí

A matéria escura, a substância misteriosa que os cientistas acreditam representar um quarto do nosso Universo, é menos densa e está distribuída de maneira mais uniforme do que se pensava anteriormente, revelou na quarta-feira um estudo que pode desafiar alguns princípios da física.

A descoberta pode colocar em questão o pouco que sabemos sobre o nascimento e o crescimento do cosmos, relataram os astrônomos, cujo estudo foi publicado no Monthly Notices da Real Sociedade Astronômica (RAS).

"Tudo o que podemos dizer por enquanto é que algo parece não estar certo", disse à AFP o coautor do estudo Konrad Kuijken, do Observatório de Leiden, na Holanda.

Estudando a luz de cerca de 15 milhões de galáxias distantes com o Very Large Telescope (VLT) europeu no Chile, Kuijken e uma equipe descobriram que a matéria escura era significativamente "menos irregular" do que havia sido mostrado anteriormente pelo satélite Planck da Agência Espacial Europeia.

A matéria escura é uma substância misteriosa, invisível aos telescópios e percebida apenas através da sua atração gravitacional sobre outros objetos no Universo.

O Planck, aposentado em 2013, estudou a radiação remanescente do "Big Bang", que criou o Universo há cerca de 14 bilhões de anos.

O novo estudo, por sua vez, examinou como a luz de galáxias distantes é encurvada através da influência gravitacional da matéria.

"O resultado (...) tem implicações para a nossa compreensão do Universo, e de como este evoluiu durante seus quase 14 bilhões de anos de história", segundo um comunicado da RAS e do Observatório Europeu do Sul, que hospeda o VLT.

"Tal divergência aparente com os resultados previamente estabelecidos do Planck significa que os astrônomos talvez tenham que reformular a sua compreensão de alguns aspectos fundamentais do desenvolvimento do Universo".

Isso poderia significar repensar a própria essência da energia escura - uma força inexplicada que se acredita que é responsável por acelerar a expansão do Universo.

Em vez da única "constante cosmológica" sugerida por Albert Einstein, poderia haver várias formas diferentes de energia escura, disse Kuijken.

"Outra possibilidade emocionante é que este é um sinal de que as leis da gravidade na escala do Universo são diferentes da relatividade geral" - a teoria da gravidade de Einstein que sustenta grande parte da física hoje.

Em 2013, o satélite Planck remodelou a nossa compreensão dos principais elementos do Universo.

Ele descobriu que a "matéria normal" - que compõe seres humanos, planetas, estrelas e galáxias - compreende 4,9% do Universo, mais que os 4,5% medidos anteriormente.

A matéria escura compõe 26,8% do Universo, enquanto a energia escura representa os 68,3% restantes.

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