Zika: 6% de bebês de mães infectadas na gravidez tem malformações (estudo)

Miami, 15 dez 2016 (AFP) - Cerca de 6% dos bebês de mães infectadas pelo vírus zika durante a gravidez nos Estados Unidos nasceram com malformações congênitas, disseram pesquisadores americanos nesta quinta-feira.

O relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) foi publicado na revista científica Journal of American Medical Association.

"Os cientistas dos CDC usaram dados preliminares do Registro de Zika na Gravidez (USZPR) para calcular que 6% das gestações concluídas após a infecção pelo zika foram afetadas por uma ou mais malformações potencialmente relacionadas à infecção pelo vírus durante a gravidez", diz o relatório.

Um total de 442 mulheres com possíveis infecções pelo zika tinham dado à luz até 22 de setembro, e 26 dessas gestações, ou 6%, resultaram em malformações fetais que podem estar ligadas ao vírus.

O zika pode causar microcefalia, uma condição em que os bebês nascem com problemas no desenvolvimento cerebral e cabeças menores que a média, entre outras malformações.

A taxa de malformações foi maior (11%) entre as mulheres que foram infectadas pelo zika no primeiro trimestre da gravidez.

"O zika representa um risco real durante a gravidez, mas especialmente no primeiro trimestre", disse o chefe dos CDC, Tom Frieden.

"É fundamental que as mulheres grávidas não viajem para áreas onde o zika está se propagando", acrescentou.

Em apenas um de cada cinco casos o zika provoca sintomas nas pessoas infectadas, e estes geralmente são brandos, como erupções cutâneas, dores de cabeça ou dores no corpo.

"A proporção de gestações com malformações congênitas foi semelhante entre mulheres grávidas que experimentaram e as que não experimentaram sintomas, cerca de 6% em cada grupo", disse o relatório.

Dezoito lactentes foram diagnosticados com microcefalia, representando 4% das gestações completadas.

Tipicamente, a prevalência americana de microcefalia é de 0,07% dos nascidos vivos.

Frieden disse que o estudo "mostra que a taxa de microcefalia e outras malformações fetais relacionadas com o zika é semelhante entre bebês nascidos nos Estados Unidos - cujas mães foram infectadas durante viagens a uma dúzia de países com transmissão ativa de zika - e a taxa estimada no Brasil", onde foi observado o primeiro surto de casos de microcefalia, no ano passado.

O relatório alertou que as estimativas são preliminares e poderiam aumentar, particularmente à luz de pesquisas recentes que mostraram que alguns bebês cujas mães foram infectadas pelo zika na gravidez parecem saudáveis no nascimento, mas desenvolvem microcefalia em seu primeiro ano da vida.

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