Parte do cérebro que reconhece rostos cresce até a idade adulta

Washington, 6 Jan 2017 (AFP) - A parte do cérebro que permite reconhecer os rostos continua se desenvolvendo até a idade adulta, uma descoberta que surpreendeu cientistas divulgada em um estudo publicado na quinta-feira.

Os cientistas pensavam que o crescimento dos tecidos cerebrais terminava no início da vida, e que o cérebro se adaptava posteriormente organizando a sinapse entre os neurônios.

Ao examinar com ressonância magnética cérebros de crianças e de adultos, os pesquisadores descobriram que a região do córtex cerebral que aparentemente desempenha um papel chave no reconhecimento dos rostos - chamada giro fusiforme - continuava crescendo até a idade adulta.

Isto explicaria por que os adultos reconhecem melhor os rostos que as crianças, revelaram os autores deste estudo, apresentado na revista americana Science e realizado com 47 pessoas (22 crianças de 5 a 12 anos e 25 adultos de 22 a 28 anos).

Os pesquisadores determinaram que os adultos tinham proporcionalmente 12,6% a mais de matéria cerebral no giro fusiforme que as crianças.

Kalanit Grill-Spector, professora de psicologia do Instituto de Neurociências da Universidade de Stanford, ressaltou que antes os cientistas pensavam que a formação do cérebro ocorria apenas durante a infância e a adolescência, mas no que se refere ao giro fusiforme esta formação vai além.

Esta parte do córtex cerebral é única nos humanos e nos grandes primatas.

Os cientistas também examinaram outras zonas do cérebro envolvidas no reconhecimento dos lugares, mas seu tamanho não variava com a idade.

Para Grill-Spector, esta descoberta facilitará a compreensão de certos aspectos do envelhecimento e das dificuldades de algumas pessoas para reconhecer rostos. Segundo este estudo, um em cada cinquenta adultos seria afetado por este problema.

Também pode ser útil para estudar o transtorno no espectro do autismo, que pode afetar a capacidade de reconhecer rostos.

Estas observações foram corroboradas por uma equipe do Centro de Pesquisa de Julich, na Alemanha, que trabalhou com tecidos da mesma parte do córtex cerebral procedentes de cadáveres.

Os pesquisadores chegaram a extrair estruturas celulares que mostravam que as do giro fusiforme dos adultos eram maiores.

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