Texto de Churchill sobre vida extraterrestre é descoberto nos EUA

Em Paris

  • Yousuf Karsh

    O primeiro-ministro britânico Winston Churchill também escreveu sobre biologia e energia de fusão

    O primeiro-ministro britânico Winston Churchill também escreveu sobre biologia e energia de fusão

A astronomia pode não ser a prática pela qual o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill é mais lembrado, mas um tratado que ele escreveu sobre a vida extraterrestre revelou sua perspicácia científica seis décadas depois.

Entre governar a Grã-Bretanha e ajudar os Aliados a vencer a Segunda Guerra Mundial, Churchill foi um dos primeiros a teorizar sobre outras regiões do Universo nas quais as condições podem ser propícias para abrigar a vida.

Trechos de seu ensaio "Estamos Sozinhos no Universo?" foram trazidos à luz na quarta-feira, na revista científica Nature.

"Não sou suficientemente presunçoso para pensar que meu sol é o único com uma família de planetas", escreveu Churchill no documento ao que o astrofísico Mario Livio teve acesso no ano passado no Museu Nacional Churchill dos Estados Unidos, em Fulton, Missouri.

"Deve haver muitos outros planetas", concluiu, do "tamanho certo para manter (...) água e possivelmente uma atmosfera" e "a uma distância apropriada do seu sol para manter uma temperatura adequada".

Este conceito ficou conhecido, mais tarde, como a "zona habitável" de uma estrela.

Para se qualificar, um planeta tem que orbitar a sua estrela a uma distância longe o suficiente para que a água não evapore pelo calor solar, e perto o suficiente para que não congele.

Creative Commons - Getty Images
Ensaio foi escrito pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial

Texto foi escrito às vésperas da guerra

Churchill redigiu o primeiro rascunho do documento em 1939, quando a Europa estava à beira da guerra, e revisou-o no final dos anos 1950, quando visitou seu editor em uma aldeia no sul da França, disse Livio.

Acredita-se que o trabalho nunca havia sido publicado ou submetido a escrutínio científico ou acadêmico.

"O que é extraordinário é a sua linha de raciocínio, ele pensa sobre o problema como um cientista", disse Livio à AFP.

Churchill também escreveu sobre biologia e fusão

Correspondente de guerra e soldado transformado em político, Churchill também era conhecido por seu amor à ciência. Ele escreveu ensaios e artigos nos anos 1920 e 1930 sobre temas como evolução, biologia celular e energia de fusão nuclear.

Como primeiro-ministro, financiou laboratórios, telescópios e o desenvolvimento de tecnologias que geraram muitas descobertas.

Até agora, não se sabia que a astrofísica era um de seus campos de interesse científico.

"Em uma época em que um grande número de políticos evitam a ciência, me comove recordar um líder que se envolveu com ela tão profundamente", escreveu Livio na Nature.

A busca por planetas potencialmente habitáveis em outras partes do Universo começou décadas após as reflexões de Churchill sobre o tema.

Em 2015, pesquisadores calcularam que a Via Láctea pode ser o lar de bilhões de planetas que orbitam na zona habitável das suas estrelas.

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