Trump promete anúncio 'nos próximos dias' sobre acordo de Paris

Washington, 31 Mai 2017 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira anunciar "nos próximos dias" sua posição quanto ao acordo de Paris sobre o clima, em meio aos rumores sobre a possível retirada dos Estados Unidos deste compromisso global.

"Anunciarei minha decisão sobre o acordo de Paris nos próximos dias. TORNAR A AMÉRICA GRANDE DE NOVO!", expressou o republicano em sua conta oficial no Twitter.

Segundo vários veículos de comunicação, Trump teria decidido retirar os Estados Unidos do acordo.

Uma autoridade europeia afirmou nesta quarta-feira que a União Europeia e a China vão apoiar o acordo de Paris durante uma cúpula no próximo final de semana em Bruxelas, seja qual for a decisão do presidente Donald Trump a este respeito.

"Iremos publicar uma declaração comum sobre as mudanças climáticas, na qual a UE e a China, como grandes emissoras de CO2, vão afirmar que irão implementar o acordo", informou a fonte, que pediu anonimato, a jornalistas em Bruxelas.

Concluído no final de 2015 na capital francesa por mais de 190 países, este acordo visa limitar o aumento da temperatura mundial por meio da redução das emissões de gases do efeito estufa.

A saída dos Estados Unidos seria um revés para a "diplomacia do clima" que, há menos de 18 meses, comemorava um acordo histórico, com Pequim e Washington (sob a presidência Obama) entre os arquitetos do projeto.

O site Axios citou fontes anônimas próximas ao presidente que tiveram conhecimento da decisão.

A informação ainda não foi confirmada pela Casa Branca.

A questão dividiu profundamente a cúpula do G7 concluida na Sicília (Itália). Todos os participantes, com exceção de Trump, reafirmaram seu compromisso com o acordo de Paris.

Durante a campanha, o empresário insistiu em acabar com a "guerra contra o carvão" e prometeu "anular" o acordo.

Mas desde que tomou posse, em 20 de janeiro, enviou sinais mistos, reflexo das correntes conflitantes que permeiam sua administração sobre a questão climática e outros assuntos.

O chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Scott Pruitt, havia defendido abertamente a saída do acordo, considerando-o "ruim" para a América.

O mundo dos negócios defendeu, em sua grande maioria, a permanência no acordo de Paris.

Vários grandes grupos, incluindo a petrolífera ExxonMobil, a gigante agroquímica DuPont, ou ainda Google, Intel e Microsoft, estimularam Donald Trump a não sair do acordo.

O objetivo dos Estados Unidos definido pela administração Obama é uma redução de 26% a 28% das suas emissões de gases de efeito estufa até 2025 em relação a 2005.

Questionado na terça-feira sobre a posição de Donald Trump sobre as mudanças climáticas, seu porta-voz Sean Spicer foi evasivo.

O presidente acredita no impacto das atividades humanas nas mudanças climáticas? "Eu não posso responder, não perguntei a ele", respondeu ele.

Uma solução proposta por alguns membros da administração americana seria permanecer no acordo, mas reavaliando os objetivos assumidos.

Isso permitiria se manter na mesa de negociações, aos mesmo tempo que marcaria uma forma de ruptura com a administração democrata de Obama.

Ao contrário do Protocolo de Kyoto (1997), o acordo concluído em Paris não é vinculante e os compromissos nacionais são voluntários.

De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) publicado esta semana, o número de pessoas empregadas no setor de energias renováveis passou de 7 milhões em 2012 a 9,8 milhões em 2016. Em 2030, esse número poderia alcançar 24 milhões, "compensando as perdas de emprego no setor dos combustíveis fósseis".

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