Algumas bactérias vaginais podem enfraquecer gel anti-HIV (estudo)

Miami, 1 Jun 2017 (AFP) - Alguns tipos de bactérias vaginais podem interferir na ação de um gel destinado a reduzir o risco de contrair HIV, que infecta mais de um milhão de mulheres em todo o mundo a cada ano, disseram pesquisadores nesta quinta-feira.

As descobertas, publicadas na revista Science, foram baseadas em um estudo de 2010 sobre mulheres na África do Sul que usavam o medicamento para microbicidas Tenofovir, na forma de gel vaginal, para avaliar o quanto este funcionou na prevenção da transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV).

A droga mostrou sucesso na prevenção do HIV em homens de alto risco, mas os estudos envolvendo mulheres foram "decepcionantes", disse o artigo.

Um ensaio randomizado de 2010 chamado CAPRISA 004 mostrou que o gel de Tenofovir, aplicado antes e depois do sexo, reduziu a incidência de HIV em 39%.

Os pesquisadores examinaram um subgrupo de mulheres que foram infectadas pelo HIV durante o estudo apesar de terem usado o gel regularmente.

As mulheres que se infectaram com o HIV tendiam a ter uma bactéria dominante conhecida como Gardnerella vaginalis, que "pode rapidamente metabolizar e quebrar a forma ativa da droga", disse o estudo.

A Gardnerella vaginalis está associada a uma condição conhecida como vaginose bacteriana (BV).

A BV é conhecida por aumentar o risco de HIV porque piora a inflamação, afeta a parede vaginal e prejudica a cicatrização de feridas.

Na África subsaariana, as mulheres têm altas taxas de prevalência de BV, de acordo com o artigo.

As mulheres com composições bacterianas vaginais mais saudáveis - as dominadas pela bactéria Lactobacillus - apresentaram uma proteção três vezes maior contra o HIV do que as mulheres com diferentes composições de bactérias vaginais dominantes.

O estudo serve como um lembrete de que "sem uma compreensão mais profunda da estrutura, função e dinâmica do microbioma vaginal, intervenções bem-sucedidas para otimizar e melhorar a saúde das mulheres continuarão elusivas", afirmaram Susan Tuddenham e Khalil G. Ghanem, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em um artigo na Science que acompanha o estudo.

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