UE e China não adotam declaração sobre o clima por diferenças no comércio

Bruxelas, 2 Jun 2017 (AFP) - A União Europeia e a China fracassaram nesta sexta-feira em sua tentativa de adotar uma declaração conjunta sobre o clima por desacordos sobre comércio, indicou à AFP uma fonte europeia, afirmando que ambas as partes compartilham a mesma visão sobre o Acordo de Paris.

"Estavam concordando em grande parte dos assuntos, mas, por não haver um acordo sobre o estatuto de mercado [da China], não assinaram" a declaração conjunta prevista sobre o clima, indicou esta fonte.

Segundo um projeto de declaração conjunta, consultado pela AFP há alguns dias, a China e a UE estavam dispostas depois da cúpula de "confirmar os seus compromissos" adotados em Paris e "acelerar a sua cooperação" na execução desse pacto.

A confirmação chegou um dia depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou um duro golpe a este acordo internacional contra a mudança climática, anunciando a retirada de seu país.

Esta decisão é "um grande erro, pior do que não se unir ao Protocolo de Kyoto", disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em referência a este protocolo adotado em 1997, que os Estados Unidos assinaram, mas nunca ratificaram.

Apesar de não adotar a declaração, Tusk assegurou em coletiva com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, que estão dispostos a aumentar a sua cooperação na luta contra a mudança climática, uma luta que "continuará com ou sem os Estados Unidos".

"A China e a Europa mostraram a sua solidariedade com as futuras gerações", assegurou o presidente do Conselho, que chegou a dizer que esta reunião anual foi a "mais promissora de nossa história".

O comércio, que para Li "contribuirá para o desenvolvimento e prosperidade do mundo", foi o ponto de desencontro, segundo a fonte europeia.

Os europeus, assim como os americanos, rechaçam concordar com o estatuto de economia de mercado de Pequim, o qual acusam de dumping em alguns setores como o do aço.

A China considera ter o direito de contar com este tratamento, muito mais favorável do que o estatuto com o qual conta atualmente, e destaca que a rejeição de Bruxelas e de Washington é uma amostra de "protecionismo disfarçado".

Quando a China aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, ficou estipulado que durante 15 anos o resto dos países poderia considerá-la como uma economia não de mercado.

Entretanto, passado esse tempo, a UE e os Estados Unidos decidiram manter as suas severas medidas de proteção contra os econômicos produtos chineses que inundam os seus mercados.

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