Diminuição das nuvens acelera degelo na Groenlândia

Washington, 28 Jun 2017 (AFP) - A diminuição da cobertura de nuvens nos meses de verão no hemisfério norte aceleraram o degelo na Groenlândia, de acordo com um estudo britânico publicado nesta quarta-feira nos Estados Unidos.

Há 20 anos, as nuvens são cada vez menos abundantes sobre a Groenlândia nos meses de verão, o que aumenta a incidência dos raios solares e o reaquecimento das geleiras e da massa de gelo, explicam os pesquisadores, cujos trabalhos aparecem na revista Science Advances.

Baseando-se em dados de satélites de observação e em modelos climáticos, esses cientistas observaram que a redução de 1% da cobertura das nuvens no verão impactou no derretimento de 27.000 toneladas de gelo suplementares na Groenlândia, um volume equivalente ao consumo anual de água de todos os lares americanos.

A Groenlândia teria perdido um total de quatro milhões de toneladas de gelo desde 1995, o que representa o fator mais importante do aumento do nível do mar, segundo os cientistas.

"O impacto de um aumento das radiações solares no verão explica perto de dois terços do degelo da Groenlândia das últimas décadas", assinala Stefan Hofer, pesquisador do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e principal autor deste estudo.

"Até agora pensávamos que o degelo da Groenlândia era causado exclusivamente pelo aumento das temperaturas e seus efeitos", explica.

"Nossa pesquisa mostra, no entanto, que há algo mais do que o aumento do mercúrio no Ártico, e que a mudança na cobertura das nuvens não é uma anomalia, mas um fenômeno que ocorre todos os verões desde as últimas duas décadas, o que nos surpreendeu muito", acrescenta.

Na circulação das correntes atmosféricas ocorrem mudanças que explicam que no verão há menos nuvens no céu sobre a Groenlândia, resume o professor Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol e presidente da União Europeia de Geociências (EGU), coautor da pesquisa.

A extensão do gelo que flutuava no Oceano Ártico era de 10,1 milhões de quilômetros quadrados em 2016, a menor superfície medida desde o início das observações por satélite em 1979, segundo o Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve.

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