Nas profundidades, corais brilham para sobreviver

Paris, 5 Jul 2017 (AFP) - Por que alguns corais das águas profundas são fluorescentes? Para dar luz às microalgas, com as quais convivem em simbiose e, assim, favorecer sua própria sobrevivência - explicam cientistas em um estudo publicado nesta quarta-feira (5).

Constituídos por milhares de animais minúsculos, os corais vivem em estreita relação com algas microscópicas chamadas zooxantelas. Esses organismos unicelulares se abrigam nos corais, que lhes oferecem gás carbônico e nutrientes.

Já as microalgas produzem, por fotossíntese, açúcares simples e oxigênio utilizados pelos corais. Essa é uma colaboração essencial, que provém 90% das necessidades dos corais. Estes últimos têm necessidade vital de luz para sobreviver, ainda que não em excesso.

Por isso, em águas pouco profundas, produzem proteínas fluorescentes que servem - de certo modo - como proteção solar para as zooxantelas, afirmam os pesquisadores do Laboratório sobre os Corais da Universidade Southampton, na Grã-Bretanha. Seu estudo foi publicado na Proceedings of the Royal Society B.

Em colaboração com o Instituto de Ciências Marinhas de Eilat e com a Universidade de Haifa (Israel), a equipe de Southampton procurou compreender o motivo pelo qual muitos corais brilham também em águas profundas, fracamente iluminadas e de uma cor azul-escura.

Os pesquisadores descobriram que os corais conseguem sobreviver nas profundidades, fabricando um certo tipo de proteína fluorescente que capta a luz azul, e a irradiam de volta em um tom laranja-avermelhado. Ela penetra ainda mais nos tecidos dos corais, favorecendo a capacidade de fotossíntese das microalgas, relatam os cientistas.

"É um passo importante para compreender como os misteriosos pigmentos fluorescentes dos corais funcionam", considera o biólogo Jörg Wiedenmann, da Universidade de Southampton e um dos autores do estudo.

Diante das ameaças que pesam sobre os corais por conta do aquecimento global e da poluição das águas, alguns especialistas esperam que as zonas de águas profundas - mais frias - possam constituir um abrigo para eles.

O presente trabalho mostra que isso não é tão simples.

"Fica claro que os corais necessitam de características especiais para se adaptar à vida nas profundidades", afirmou Wiedenmann.

Devemos "fazer todo o possível" para manter as águas pouco profundas habitáveis para os corais, conclui.

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