Cientistas reduzem possibilidade de vida em outros planetas

Em Paris

  • NASA/W. Stenzel

Cientistas desferiram um golpe, nesta segunda-feira (31), à busca por organismos que habitam mundos além da Terra, dizendo que a capacidade do nosso planeta de abrigar água em estado líquido - o ingrediente chave para a vida como a conhecemos - é incomum no universo.

Acreditava-se que era provável que mundos distantes que orbitam estrelas semelhantes ao nosso Sol passassem por fases ricas em água.

Isso aconteceria quando a estrela jovem e fraca de um planeta gelado e sem vida - como a Terra no início - começa a se aquecer, se torna semelhante ao Sol e derrete o gelo nos planetas que a orbitam a uma distância adequada - dentro da chamada "zona habitável".

As esferas geladas no nosso Sistema Solar, incluindo as luas Europa, de Júpiter, e Encélado, de Saturno, ou "exoplanetas" em outros sistemas estelares poderiam se tornar habitáveis dessa maneira, segundo essa teoria.

Mas uma equipe publicou na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira que isso era mais improvável do que se imaginava.

Jun Yang, da Universidade de Pequim, e uma equipe usaram modelos climáticos para simular a evolução dos planetas gelados.

Sem gases atmosféricos de efeito estufa - uma característica da Terra - a energia necessária para descongelar um planeta gelado seria tão alta que este passaria de congelado para 'infernal' sem uma fase intermediária e habitável, concluíram os pesquisadores.

"Descobrimos que os fluxos estelares necessários para superar o estado inicial de 'bola de neve' de um planeta são tão grandes que levam a uma perda significativa de água e impedem que o planeta seja habitável", escreveu a equipe.

Alguns corpos gelados, eles sugeriram, podem, portanto, nunca passar por um estado habitável como o da Terra.

Entre estes, Europa e Encélado provavelmente irão se transformar de bolas de gelo em bolas de fogo no momento em que o Sol atingir sua fase gigante vermelha, em bilhões de anos, disse a equipe.

A Terra é um exemplo de um mundo gelado que foi descongelado o suficiente, há cerca de 600 a 800 milhões de anos, graças aos gases atmosféricos do efeito estufa emitidos por erupções vulcânicas durante sua fase "bola de neve", disse a equipe.

Isso significa que teria sido necessário um calor solar menor para o gelo derreter, permitindo que nosso planeta alcançasse um meio termo temperado.

Os gases do efeito estufa, que estão naturalmente presentes na atmosfera, mas também são liberados através da queima de carvão, petróleo e gás, são o que manteve o nosso planeta quente o suficiente para permitir que os humanos, animais e plantas o habitassem.

Mas a adição da humanidade de CO2 desde a Revolução Industrial fez com que a atmosfera retivesse cada vez mais calor solar, até um ponto em que os cientistas dizem que estamos prejudicando o clima perfeitamente equilibrado da Terra além do limite em que pode ser reparado.

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