Novo estudo genético reescreve história dos Neandertais

Em Miami

  • SPL/BBC Brasil

    O crânio dos Neandertais (e) tinha órbitas maiores do que as dos humanos modernos (d); consequentemente, usavam mais o cérebro para processar informações visuais

    O crânio dos Neandertais (e) tinha órbitas maiores do que as dos humanos modernos (d); consequentemente, usavam mais o cérebro para processar informações visuais

Uma nova maneira de usar o DNA para perscrutar a história da humanidade está reescrevendo o que os especialistas sabem sobre o homem de Neandertal, disseram pesquisadores dos Estados Unidos nesta segunda-feira (7).

Pesquisas anteriores sugeriram que, perto do fim de sua existência, há cerca de 40 mil anos, restavam apenas cerca de 1.000 Neandertais na Terra.

Mas o novo estudo mostra que sua população era muito maior - provavelmente de dezenas de milhares de indivíduos, em grupos isolados por toda a Europa, informa o estudo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As pistas genéticas incluem DNA de Neandertal que contém mutações que geralmente ocorrem em pequenas populações com pouca diversidade genética.

Além disso, os restos de Neandertais - encontrados em vários locais - são geneticamente diferentes uns dos outros.

"A ideia é que existiram essas populações pequenas, geograficamente isoladas, como ilhas, que às vezes interagiam, mas (...) que tendiam a permanecer entre eles", disse o coautor Ryan Bohlender, pesquisador no Anderson Cancer Center da Universidade do Texas.

Usando um novo método para analisar os dados das sequências de DNA, os pesquisadores também descobriram que os Neandertais se separaram de outra linhagem misteriosa, conhecida como Denisovans, há cerca de 744 mil anos, muito antes do que qualquer outra estimativa dessa divisão.

Depois disso, a população global de Neandertais cresceu até dezenas de milhares de indivíduos.

"Esta hipótese vai contra a sabedoria convencional, mas faz mais sentido", afirmou o autor principal do estudo, Alan Rogers, professor no departamento de antropologia da Universidade de Utah.

"Há um rico registro de fósseis de Neandertal. Existem muitos sítios de Neandertais", disse. "É difícil imaginar que haveria tantos se houvesse apenas 1.000 indivíduos em todo o mundo".

Sabe-se muito pouco sobre os Denisovans, às vezes descritos como os primos orientais dos Neandertais. Apenas alguns pedaços de seus restos - incluindo alguns dentes e um osso de dedo mindinho - foram encontrados.

Tanto os Denisovans quanto os Neandertais se relacionaram sexualmente com os antepassados dos humanos modernos, que saíram da África há cerca de 60.000 anos.

Os pesquisadores não tem certeza exatamente por que os Neandertais e os Denisovans acabaram desaparecendo, mas pode ter sido devido a um clima severo ou à disputa por recursos escassos com humanos modernos.

O estudo se baseou na comparação dos genomas de quatro populações humanas: Eurasianos modernos, africanos modernos, Neandertais e Denisovans.

Este método estatístico ajudou os pesquisadores a estimarem a porcentagem de genes de Neandertal que circulam nas populações euro-asiáticas modernas - que, confirmaram, é de cerca de 2%.

O método revelou o tamanho dessas populações ancestrais e a data em que se separaram umas das outras.

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