Cientistas editam DNA de porcos e avançam em direção a xenotransplantes

Washington, 11 Ago 2017 (AFP) - Cientistas editaram com sucesso o código genético de leitões para remover infecções virais latentes, um avanço que eventualmente poderia abrir caminho para transplantes de órgãos de animais em humanos.

Seu trabalho, publicado na revista americana Science nesta quinta-feira, poderia salvar vidas ao reduzir as listas de espera de doadores de órgãos.

Existem cerca de 117 mil pessoas na lista de espera de transplantes nos Estados Unidos, de acordo com dados oficiais, e 22 pessoas morrem todos os dias esperando por um órgão.

Os geneticistas da Universidade de Harvard George Church e Luhan Yang, junto com uma equipe de colaboradores dinamarqueses e chineses, colocaram células embrionárias editadas em um coquetel químico que estimulou o crescimento e superou o efeito destrutivo inerente ao processo de modificação.

Eles então usaram uma técnica de clonagem padrão para inserir o DNA editado em óvulos que foram colocados em uma mãe de aluguel.

"Antes do nosso estudo, havia uma enorme incerteza científica sobre se o porco [produzido após esta edição] é viável", disse Yang, acrescentando que a equipe já produziu 37 leitões livres dos chamados retrovírus endógenos porcinos (PERVs).

"Se isso estiver correto, é uma grande conquista", disse o virologista Joachim Denner, do Instituto Robert Koch em Berlim, especialista em retrovírus.

Não está claro se os PERVs infectariam humanos que receberam órgãos de porco, mas estudos de laboratório mostraram que células humanas podem ser infectadas pelos vírus em um prato.

Os humanos já podem receber válvulas cardíacas e pâncreas de porco, mas os cientistas buscam fazer com que todos os seus órgãos, que crescem até um tamanho parecido com os dos humanos, sejam disponíveis para transplantes.

Mas o objetivo do xenotransplante permanece longe. Os pesquisadores ainda precisam editar genes de porco para evitar desencadear uma reação do sistema imunológico humano e prevenir interações tóxicas no sangue.

Essas etapas "são provavelmente mais desafiadoras" do que remover as infecções inativas, disse Yang.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos