Terra pode ter abrigado vida há 3,95 bilhões de anos, diz estudo

Em Paris

  • NASA

Uma forma rudimentar de vida pode ter existido na Terra há 3,95 bilhões de anos, quando ocorriam intensos bombardeios de cometas e asteroides sobre o planeta, afirma um grupo de pesquisadores em um estudo publicado esta quarta-feira (27) na revista Nature.

"Encontramos a prova mais antiga de vida sobre a Terra" no Canadá, "em rochas sedimentares na (região de) Labrador (leste) que datam de 3,95 bilhões de anos", declarou à AFP Tsuyoshi Komiya, da Universidade de Tóquio, um dos autores do estudo.

Nessa época, a Terra, que se formou há 4,567 bilhões de anos, recebia o impacto dos cometas, destacou.

Há um ano, os anúncios sobre a data do surgimento da vida sobre a Terra apareceram na Nature e deram lugar a um debate entre cientistas.

Em setembro de 2016, uma equipe de pesquisadores anunciou na revista britânica que havia descoberto na Groenlândia estromatólitos (estruturas calcárias formadas por colônias microbianas) de 3,7 bilhões de anos.

Seis meses depois, um grupo de cientistas indicou, também na Nature, que descobriu micro-organismos fósseis que teriam entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos. Foram detectados no cinturão de Nuvvuagittuq, no Canadá.

Nessa ocasião, os pesquisadores japoneses trabalharam na zona de Saglek Blok, no norte de Labrador, cujas rochas têm cerca de 3,95 bilhões de anos.

Os especialistas estudaram a composição isotópica de grãos de gaefite (carbono) para saber se eram de origem orgânica ou não.

Os isótopos são átomos que possuem o mesmo número de prótons, mas que diferem no número de nêutrons.

O carbono possui diversos isótopos naturais (incluindo o famoso carbono 14, radioativo, usado para as datações, mas que não se encontra em rochas antigas).

Para o seu trabalho, os pesquisadores se focaram no carbono 13 (seis prótons e sete nêutrons) e no carbono 12 (seis prótons e seis nêutrons), dois isótopos estáveis.

"Os organismos, para se desenvolverem, preferem isótopos rápidos, como o carbono 12, mais do que o carbono 13, que é mais pesado", explicou Tsuyoshi Komiya.

A sua equipe descobriu que os grãos de grafite estavam claramente enriquecidos de carbono 12.

Tsuyoshi Komiya deduziu que "a assinatura" deste grafito é "biógena", ou seja, que provém de organismos vivos.

Mas Sylvain Bernard, geoquímico do Museu Nacional de História Natural da França, se mostrou cético diante destas conclusões.

"Não apenas os seres vivos têm esta assinatura isotópica", disse, destacando que isto também pode ser fruto de reações de minerais entre si, ou de líquidos entre si.

"Os argumentos dados por esses pesquisadores estão distantes de serem suficientes para determinar de forma não ambígua" o caráter biogênico desses grafites. "Utilizam argumentos que talvez sejam necessários, mas não suficientes", acrescentou Bernard.

"Por enquanto ainda não sabemos como nem quando apareceu a vida na Terra", afirmou. "Mas avançamos" graças a técnicas pontuais, suavizou.

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