Crânio dos musaranhos diminui no inverno e volta a crescer na primavera, diz estudo

Em Washington

  • Francesco Rovero/California Academy of Sciences/Reuters

    Musaranho, pequeno mamífero parecido com ratos

    Musaranho, pequeno mamífero parecido com ratos

O crânio dos musaranhos, pequenos mamíferos parecidos com ratos, pode encolher 30% no inverno e recuperar seu tamanho habitual quando a primavera se aproxima, um fenômeno surpreendente que os cientistas não conseguem explicar.

"Constatamos que todos os musaranhos estudados sofreram uma redução significativa de seus crânios entre o verão e o inverno", explica Javier Lazaro, pesquisador do Instituto Max Planck da Alemanha, um dos autores principais de um estudo publicado nesta segunda-feira (23) na revista científica americana Current Biology.

"Depois, na primavera, a cavidade craniana aumenta até atingir praticamente seu volume inicial no verão", acrescenta.

Este fenômeno, chamado de "Delhnel", o nome do primeiro cientista a observá-lo, não havia sido medido e documentado até agora.

Para isso, os pesquisadores estudaram 12 musaranhos do verão de 2014 até o outono de 2015, os anestesiaram, radiografaram seus crânios e implantaram chips eletrônicos sob suas peles para identificá-los.

As medidas obtidas permitiram confirmar as variações do tamanho do crânio entre o verão, o inverno e a primavera seguinte em todos os pequenos mamíferos estudados.

Esta diminuição do tamanho não afeta apenas o crânio dos musaranhos, mas a totalidade de seu organismo: vários órgãos perdem massa, a coluna vertebral reduz e o volume do cérebro diminui de 20% a 30%, indicam os especialistas.

Segundo eles, como os musaranhos têm um metabolismo rápido, é provável que a diminuição do tamanho desses órgãos os ajude a sobreviver no inverno, quando a comida é menos abundante.

Diferentemente de outros animais, esta espécie não emigra a regiões mais quentes no inverno nem hiberna como os ursos.

Mas "o fato de reduzir o tamanho da cabeça deve lhes permitir poupar energia, já que o cérebro consome mais que o resto do organismo", explica Lazaro.

O pesquisador reconhece que não pode explicar como o crânio é capaz de encolher, mas indica que parece que os tecidos cranianos são reabsorvidos quando chega o inverno e se regeneram na primavera.

"Isso significa que todos os musaranhos sofrem essa mudança todos os invernos, o que é desconcertante para nós", acrescentou.

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