ONU: 2017 é o ano mais quente já registrado sem ocorrência do fenômeno El Niño

Bonn, 6 Nov 2017 (AFP) - O ano de 2017 será o quente já registrado sem a ocorrência do fenômeno meteorológico El Niño desde o início dos registros desse tipo, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em um relatório publicado nesta segunda-feira por ocasião da abertura da 23ª Conferência da ONU sobre o Clima.

"Os últimos três anos são os mais quentes jamais registrados e fazem parte da tendência de aquecimento em longo prazo do planeta", enfatizou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em um comunicado difundido em Bonn.

Sob os efeitos do El Niño, 2016 deve conservar seu recorde de ao mais enquanto, enquanto que os anos de 2015, que também registrou esse fenômeno meteorológico, e o de 2017 disputam o segundo e terceiro lugares.

El Niño afeta a cada três a sete anos as temperaturas, as correntes e as precipitações.

O período de 2013 a 2017 poderá ser considerado o mais quente já registrado, segundo a agência da ONU em um balanço provisório.

O ano de 2017 foi marcado por fenômenos climáticos extremos, furacões de intensidade inédita no Caribe e no Atlântico, temperaturas de mais de 50ºC na Ásia e secas na África.

"Muitos destes fenômenos - os estudos científicos detalhados revelarão o número exato - têm indiscutivelmente a marca da mudança climática provocada pelo aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa gerados pelas atividades humanas", destacou Taalas.

Em Bonn, os representantes de 196 países devem chegar a um acordo sobre as regras de implementação do Acordo de Paris, que pretende conter o aquecimento abaixo dos 2ºC na comparação com a era pré-industrial. De acordo com vários estudos, os compromissos atuais dos países que assinaram o acordo são insuficientes.

As projeções a longo prazo apontam uma direção ruim, destaca a OMM. As concentrações na atmosfera dos principais gases do efeito estufa continuam aumentando.

Em relação aos níveis de 1750, a concentração de CO2 e de metano é 1,5 e 2,5 vezes superior.

O aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos, entre outros indicadores do aquecimento global, persistem.

"O oceano absorve até 30% das emissões anuais de CO2 produzidas pelo homem", indica a OMM. "Mas isto tem um custo, para os corais, a aquicultura, a química elementar do mar".

A extensão da banquisa do Ártico continua inferior ao normal, enquanto na Antártica, a banquisa, estável anteriormente, perdeu superfície.

"Isto revela a ameaça crescente que pesa sobre a população, a economia dos países e inclusive os mecanismos da vida na Terra, se nossa ação não estiver à altura dos objetivos do Acordo de Paris", afirmou Patricia Espinosa, secretária executiva da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática.

"A COP23 servirá como trampolim a todos os países e setores da sociedade, que serão solicitados a revisar para cima suas ambições para o clima", completou.

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