Cientista japonês descobre vidro que se regenera

Tóquio, 28 dez 2017 (AFP) - O cientista japonês Yu Yanagisawa desenvolveu, por acidente, um novo tipo de vidro que pode ser reparado moldando-se os pedaços, uma tecnologia que ainda está longe de chegar à indústria.

A descoberta abre as portas para a fabricação de um vidro mais resistente que pode triplicar a vida útil de produtos como janelas de carros, materiais de construção, aquários, ou telefones celulares.

O químico Yanagisawa, da Universidade de Tóquio, chegou por acaso a este resultado, quando investigava adesivos que podem ser usados em superfícies molhadas.

Embora esta descoberta não implique que seja possível - no curto prazo - colar as fissuras em um smartphone, por exemplo, essa tecnologia ajudará no estudo de como tornar os objetos mais duradouros.

Em uma demonstração de laboratório para a AFP, Yanagisawa quebrou um vidro em dois pedaços. Depois, juntou as duas metades durante 30 segundos até que o cristal se autorregenerou, chegando a um estado similar à forma que tinha antes da ruptura.

Para demonstrar a solidez da peça, colocou uma garrafa de água em cima dela, que permaneceu intacta.

Esse vidro fabricado a partir da combinação de um polímero e de uma tiourea (tiocarbamida) é mais próximo do acrílico do que dos cristais minerais usados nos telefones celulares, por exemplo.

Outros cientistas haviam conseguido demonstrar propriedades similares com borracha, ou com gel, mas Yanagisawa é o primeiro cientista a demonstrar as propriedades de autorregeneração com um vidro.

O segredo de sua descoberta está na tiourea, que usa a ligação de hidrogênio para dar ao cristal sua propriedade autoadesiva, explicou Yanagisawa em um estudo.

O protótipo ainda não é perfeito, e sua resistência diminui quando a temperatura chega aos 40ºC-45ºC. Além disso, essa tecnologia não pode ser aplicada a vidros já quebrados formados por materiais antigos.

"Não é realista pensar em consertar algo que está quebrado, mas sim criar resinas de vidro mais resistentes", disse Yanagisawa à AFP.

"Quando um material se rompe, é porque já havia acumulado pequenas cicatrizes antes", completou o cientista.

Para Yanagisawa, essa descoberta é um passo para o desenvolvimento de resinas mais resistentes.

"Poderíamos conseguir duplicar, ou triplicar, a vida útil de algo que atualmente dura 10, ou 20 anos", acrescentou.

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