Topo

Medicamento para colesterol alto Praluent reduz risco de morte, aponta estudo

iStock
Imagem: iStock

Em Miami

10/03/2018 16h49

O remédio para tratar colesterol alto Praluent (alirocumab), fabricado pela francesa Sanofi Pharmaceuticals, está ligado a um risco 15% menor de eventos cardiovasculares maiores como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral, disse um estudo neste sábado.

O alirocumab também foi associado a uma redução de 15% da morte por qualquer causa, na primeira evidência de que esta classe de drogas relativamente nova, chamada de inibidores da PCSK9, pode prolongar vidas.

O benefício foi ainda maior entre aqueles com colesterol LDL ("ruim") persistentemente alto, acima de 100 mg/dL. Esse grupo registrou uma redução de 29% em morte por qualquer causa depois de tomar o medicamento por dois anos.

Os inibidores da PCSK9 são anticorpos monoclonais que inativam uma proteína específica no fígado, reduzindo drasticamente a quantidade de colesterol LDL prejudicial que circula na corrente sanguínea.

Pesquisas mostraram que estas drogas, administradas por injeção a cada duas a quatro semanas, podem funcionar melhor do que as estatinas, que são a primeira linha de tratamento tradicional para o colesterol alto.

O colesterol alto é um fator-chave na doença arterial coronariana, o tipo mais comum de doença cardíaca e o assassino número um de homens e mulheres em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Mas nem o Praluent nem o seu principal concorrente, Repatha (evolocumab), fabricado pela Amgen Pharmaceuticals, alcançaram um grande sucesso comercial devido ao seu elevado preço anual de mais de US$ 14.000 por paciente.

No ano passado, pesquisadores relataram resultados similares para o Repatha, que também reduziu o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e internação por artérias bloqueadas em 15%.

"Agora que temos dois ensaios que mostram consistentemente os benefícios dos inibidores da PCSK9, e dado o benefício de mortalidade que estamos relatando aqui pela primeira vez, acho que esses resultados podem alterar a equação para essas drogas", disse Philippe Gabriel Steg, chefe de cardiologia no Hopital Bichat em Paris e colíder do estudo.

"Nós não estamos apenas falando sobre a prevenção de eventos não fatais, como ataques cardíacos, mas de realmente preservar a vida".

Os resultados descritos no sábado na conferência do American College of Cardiology em Orlando, Flórida, foram baseados em um ensaio internacional com quase 19 mil pessoas em 57 países, escolhidas aleatoriamente para receber o alirocumab ou um placebo.

Os inscritos tinham mais de 40 anos e muitos tinham sido tratados com a quantidade máxima de estatinas, mas sem conseguir reduzir seu colesterol.

O ensaio incluiu aqueles cujo colesterol LDL permanecia acima de 70 mg/dL, e o colesterol não HDL acima de 100 mg/dL.

Os participantes foram acompanhados por até cinco anos, com 44% participantes tendo participado por três anos ou mais.

Em um comunicado no sábado, a Sanofi disse que trabalharia para diminuir o preço para pacientes com alto risco.