Desnutrição atinge nível emergencial em crianças rohingyas refugiadas

Washington, 10 Abr 2018 (AFP) - A desnutrição e a anemia superam amplamente os níveis de emergência estabelecidos internacionalmente entre as crianças rohingyas nos campos de refugiados em Bangladesh, alertaram nesta terça-feira pesquisadores americanos.

Um total de 269 crianças com entre seis meses e cinco anos foram examinadas no campo de refugiados de Kutupalong em outubro de 2017, explicaram os pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Cerca de 700 mil rohinyas, uma minoria muçulmana apátrida, fugiram de Mianmar para Bangladesh para escapar de uma ofensiva militar conduzida desde agosto. A violência deixou um rastro de vilarejos incendiados, com denúncias de assassinatos e estupros por soldados e milícias budistas.

As autoridades birmanesas negam veementemente as acusações da ONU e dos Estados Unidos de limpeza étnica contra os rohingyas.

O trabalho dos pesquisadores americanos mostra que 24% das crianças sofriam desnutrição aguda, o que as expunha a um maior risco de adoecimento, fome e até morte.

A desnutrição crônica foi observada em 43% das crianças e 48% tinham anemia severa ou baixos níveis de ferro.

Os níveis de emergência global - ponto onde a situação é considerada um problema de saúde pública - para a desnutrição aguda foram superados em 15% e para a anemia em 40%, de acordo com os pesquisadores.

"A alta prevalência de anemia e escassa diversidade alimentar ressaltam a necessidade de fornecer rações familiares mais diversificadas, expandir a distribuição de alimentos fortificados complementares e apoiar a amamentação prolongada", aponta o estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA).

Os pesquisadores alertaram que seu estudo se limitava a um único campo de refugiados.

"Uma amostra pequena foi usada para fornecer resultados rápidos no contexto de uma emergência, os resultados nutricionais podem diferir em outros campos de refugiados", explica o relatório.

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