Óleo de peixe não alivia sintomas da síndrome do olho seco, diz estudo

Tampa, Estados Unidos, 13 Abr 2018 (AFP) - Suplementos de óleo de peixe têm sido recomendados há bastante tempo para pessoas que sofrem de síndrome do olho seco, uma doença comum que afeta milhões em todo o mundo, mas um estudo divulgado nesta sexta-feira (13) disse que eles não funcionam.

"Os suplementos de ômega-3 não são mais eficazes do que o placebo para aliviar os sintomas do olho seco", segundo os resultados de um ensaio clínico randomizado que envolveu 535 pessoas, publicado na revista científica New England Journal of Medicine.

A síndrome do olho seco afeta mais de 16 milhões de americanos, causando queimação, coceira, ardência e visão prejudicada.

Todos os participantes do estudo lutavam contra os sintomas de olho seco moderado a grave há pelo menos seis meses.

Os indivíduos foram aleatoriamente designados para uma dose diária de um suplemento de ômega-3 ou um placebo de azeite de oliva, entregues em cápsulas idênticas.

Nem os pacientes nem seus oftalmologistas sabiam em qual grupo de tratamento eles estavam.

Depois de um ano, os sintomas tinham "melhorado substancialmente em ambos os grupos", disse o relatório.

Um total de 61% das pessoas no grupo do ômega-3 e 54% das pessoas no grupo de controle alcançaram pelo menos uma melhora de 10 pontos, mas a diferença entre os grupos não foi estatisticamente significativa.

"Ficamos surpresos que os suplementos de ômega-3 não tiveram nenhum efeito benéfico", disse a coautora do estudo Vatinee Bunya, professora assistente de oftalmologia da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia.

"Os resultados são significativos e podem mudar a forma como muitos oftalmologistas e optometristas tratam seus pacientes".

Segundo Matthew Gorski, oftalmologista da Northwell Health em Nova York, os médicos interessados em olho seco e na eficácia dos suplementos de óleo de peixe "aguardavam ansiosamente os resultados dos testes clínicos com a esperança de que isso melhorasse potencialmente a qualidade de vida".

Gorski, que não esteve envolvido na pesquisa, disse que "mais estudos devem ser realizados para confirmar esta conclusão".

Jules Winokur, um oftalmologista do Hospital Lenox Hill, em Nova York, descreveu o estudo como "importante" e concordou que é necessário mais trabalho para entender por que ambos os grupos melhoraram quase igualmente.

"O olho seco é um problema comum que quase todo mundo experimenta em algum momento da vida", disse, observando que os sintomas podem variar desde um leve desconforto até uma dor crônica e debilitante que interfere na vida diária.

"Para muitos, o problema se resolve sozinho ou é rapidamente melhorado pelo uso de lágrimas artificiais. No entanto, existem muitas pessoas cujo tratamento não é simples e cujas vidas são impactadas negativamente pela doença".

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