Turismo é responsável por 8% das emissões de gases do efeito estufa

Bonn, 7 Mai 2018 (AFP) -

O turismo doméstico e internacional é responsável por 8% das emissões de gases de efeito estufa, quatro vezes mais do que o estimado anteriormente, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (7).

A pegada de carbono dessa indústria de vários trilhões de dólares está se expandindo rapidamente, impulsionada em grande parte pela demanda por viagens aéreas com gasto intensivo de energia, relataram pesquisadores na revista científica Nature Climate Change.

"O turismo deve crescer mais rápido do que muitos outros setores econômicos", com a receita projetada para aumentar 4% ao ano até 2025, observou a autora principal, Arunima Malik, pesquisadora da escola de negócios da Universidade de Sydney.

Manter a poluição de carbono do setor sob controle provavelmente exigirá impostos de carbono ou sistemas de comercialização de CO2 para a aviação, concluíram os pesquisadores.

Como nas décadas passadas, os Estados Unidos são o maior emissor de carbono relacionado ao turismo, e outros países ricos - Alemanha, Canadá e Grã-Bretanha - também estão entre os dez primeiros.

Mas as economias emergentes, com suas crescentes classes médias, subiram no ranking, com a China em segundo lugar e Índia, México e Brasil, em quarto, quinto e sexto, respectivamente.

Viagens internacionais envolvendo voos de longa distância estão entre os setores que crescem mais rápido, e poderiam ameaçar os esforços para controlar a poluição por carbono.

O número total de passageiros aéreos deverá quase dobrar até 2036, para 7,8 bilhões por ano, de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

A indústria da aviação representa quase 2% de todas as emissões de CO2 geradas por humanos, e ficaria na 12ª posição se fosse um país.

"Vemos um crescimento muito rápido da demanda turística da China e da Índia nos últimos anos, e também esperamos que essa tendência continuará na próxima década", disse à AFP Ya-Sen Sun, professor da escola de negócios da Universidade de Queensland, na Austrália, e coautor do estudo.

"Além do grande número populacional, o que é preocupante é que as pessoas com renda crescente tendem a viajar mais, com mais frequência e com maior confiança na aviação".

- Ficar perto de casa -

As viagens internacionais são responsáveis por um quarto das emissões de carbono relacionadas ao turismo.

O turismo e a aviação não estão atualmente cobertos pelo tratado climático de Paris de 2015, que pretende limitar o aquecimento global "bem abaixo" de dois graus Celsius.

Com apenas um grau de aquecimento até agora, a Terra viu um crescendo de secas, ondas de calor e tempestades aumentadas pela elevação dos mares.

Promessas nacionais voluntárias feitas sob o pacto de Paris para reduzir as emissões de CO2, se cumpridas, renderiam um mundo 3ºC mais quente, na melhor das hipóteses, dizem os cientistas.

"Nossa análise é um primeiro olhar mundial para o verdadeiro custo do turismo, incluindo bens de consumo como comida e souvenires", disse Malik.

Analisando todo o seu "ciclo de vida", os pesquisadores calcularam que as emissões de carbono do turismo aumentaram 15% em cinco anos desde 2009, para 4,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, uma medida que também leva em conta outros gases de efeito estufa, como o metano.

Reduzir o crescente apetite por turismo e viagens pode ser difícil.

"A mudança de comportamento dos viajantes - viajar menos, ficar perto de casa, pagar compensação de carbono - é lenta e marginal", disse Sun.

"Impostos de carbono ou esquemas de comércio de carbono podem ajudar a colocar pressão extra para acelerar o processo".

Uma redução na poluição por carbono que cobrisse os custos ambientais, por exemplo, acrescentaria um adicional de US$ 425 para compensar as emissões de um voo de ida e volta de Sydney a Londres, calcularam os autores.

"Do ponto de vista da sustentabilidade, um estilo de viagem restrito pode ser necessário", disse Sun.

Isso, por sua vez, leva a uma pergunta espinhosa formulada pelos pesquisadores em um estudo de 2011: "Quem pode viajar, por quanto tempo, usando qual meio de transporte, por que e com que conforto?"

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