Inteligência artificial aprende a pegar atalhos em labirinto virtual

Paris, 9 Mai 2018 (AFP) -

Um programa de computador baseado no cérebro humano aprendeu a navegar e a pegar atalhos em um labirinto virtual, superando um especialista de carne e osso, disseram seus desenvolvedores na quarta-feira (9).

Embora os programas de inteligência artificial (IA) tenham feito grandes avanços recentemente na imitação do processamento do cérebro humano - desde reconhecer objetos até jogar jogos de tabuleiro complicados - a navegação espacial continuava sendo um desafio.

Esta exige recalcular a própria posição após cada passo dado, em relação ao ponto de partida e ao destino - mesmo quando se viaja por uma rota nunca antes utilizada.

A navegação é considerada uma tarefa comportamental complexa e, em animais, é parcialmente controlada por uma espécie de GPS a bordo acionado por "células de grade" na região do hipocampo no cérebro. Foi observado que essas células disparam um padrão regular à medida que os mamíferos exploram um novo ambiente.

Em um novo estudo, publicado na revista científica Nature, pesquisadores de IA disseram ter desenvolvido uma "rede neural profunda", ou "cérebro" de computador, que eles treinaram para navegar em direção a um objetivo em um labirinto virtual.

Quando os atalhos eram introduzidos, ao abrir uma passagem bloqueada anteriormente, por exemplo, a IA pegava automaticamente a rota mais curta.

Além disso, o "cérebro" de computador gerou redes de navegação notavelmente semelhantes àquelas observadas nos cérebros de mamíferos forrageadores, disse a equipe.

O programa "atuou em um nível sobre-humano, superando a capacidade de um jogador profissional", disseram três dos autores do estudo em um comunicado de imprensa.

"Exibiu o tipo de navegação flexível normalmente associada a animais, tomando novas rotas e atalhos quando eles se tornavam disponíveis".

A maioria dos pesquisadores está ligada à DeepMind, a empresa britânica de inteligência artificial que também criou a AlphaGo, o computador autodidata que venceu campeões humanos no jogo de tabuleiro chinês "Go", que exige intuição, em vez de poder de processamento bruto.

A equipe disse que seu trabalho foi "um passo importante na compreensão do propósito computacional fundamental das células de grade no cérebro".

Os descobridores das células da grade receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 2014.

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