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Descoberta de altar Maia mostra que civilização tinha jogos políticos aos moldes de "Game of Thrones"

2018-09-19T04:00:00

19/09/2018 04h00

A descoberta de um altar maia de 1500 anos em um pequeno sítio arqueológico no norte da Guatemala trouxe comparações entre a dinastia Kaanul – ao qual o artefato pertencia – e a série de televisão de fantasia “Game of Thrones”.

Pesando cerca de uma tonelada e esculpido a partir de calcário, o altar foi encontrado em La Corona, um sítio arqueológico na região de mata fronteiriça com México e Belize, segundo informações de Tomas Barrientos, um dos responsáveis pela escavação.

Barrientos explicou que o altar foi encontrado no interior de um templo e mostra o rei Chak – um dos antigos governantes de La Corona – “sentado e a segurar um cetro pelo qual emergem dois deuses patronos da cidade”. Além disso, estudos mostraram que a estrutura contém hieróglifos maias com inscrições correspondentes a 12 de maio de 544.

Essas e outras evidências permitiram os arqueólogos determinar que a dinastia Kaanul – ou o Reino da Serpente – desenvolveu um movimento político em La Corona que os ajudou a derrotar seus rivais, os Tikal, em 562 e, a partir daí, governar as terras baixas maias, no sudeste da Mesoamérica, por quase dois séculos.

Game of Thrones Maia

O movimento político baseou-se em alianças com pequenas cidades ao redor de Tikal antes da vitória final.

Junto a essas revelações, os pesquisadores também encontraram detalhes de um casamento entre uma princesa do Reino da Serpente e o rei de La Corona.

“O altar conta parte de uma história da Guatemala, por volta de 1. 500 anos atrás, que poderíamos chamar de um ‘Game of Thrones’ Maia”, explicou Barrientos, comparando as manobras políticas dos Kaanul à disputa de poder das famílias nobres do seriado de televisão.

Para o pesquisador, o altar “junta as peças do quebra-cabeça” dos relacionamentos políticos da cultura Maia.

“É um trabalho de alta qualidade que nos mostra que eles eram governantes entrando em um período de grande poder e que se aliavam uns aos outros para poder competir com Tikal”.

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