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"Fui sacudido violentamente, mas sistema de salvamento fez tudo": como foi a aterrissagem de emergência da Soyuz

Shamil Zhumatov/Reuters
Uma falha nos foguetes de propulsão obriga a Soyuz a realizar um pouso de emergência Imagem: Shamil Zhumatov/Reuters

16/10/2018 17h57

O cosmonauta russo Alexei Ovchinin comparou nesta terça-feira (16) a pressão sofrida durante a aterrissagem de emergência da nave Soyuz na semana passada a "um bloco de cimento no peito", enquanto o astronauta americano Nick Hague lembrou das sacudidas violentas.

Os membros da missão 57 da Estação Espacial Internacional (ISS) deveriam estar agora a 400 km em órbita terrestre, a bordo da ISS, mas um problema detectado dois minutos após o lançamento desencadeou a ejeção automática da torre de salvamento do foguete, onde estava a cápsula com os dois astronautas.

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Cada um relatou sua experiência nesta terça-feia: um falando da Rússia e o outro dos Estados Unidos. Entrevistado pela televisão pública Rossiya 24, Alexei Ovchinin contou que "a pressão experimentada durante a descida vai do peito até as costas".

"Então imaginem que alguém coloca no peito da gente um enorme bloco de cimento que equivale a sete vezes o seu peso", comparou.

O cosmonauta, de 47 anos, que fazia sua segunda viagem ao espaço, explicou que a pressão não foi "tão intensa, pouco menos de 7-g", ou seja, menor que as pressões a que os astronautas são submetidos durante o treinamento.

Mas foi superior aos 5-g das descidas normais da Soyuz, complementou Nick Hague, de 43 anos, que fazia sua primeira missão espacial.

"Eu me sinto bem, como meu colega americano, Nick Hague", acrescentou Alexei Ovchinin, destacando que "os médicos concluíram que nossa saúde é boa, excelente inclusive".

"A primeira coisa que senti foi ser sacudido violentamente de um lado para outro", disse Nick Hague em uma sessão de perguntas e respostas com veículos de comunicação, transmitida pela internet pela Nasa. Estas sacudidas ocorreram porque a cápsula se afastou a toda velocidade do foguete, graças a seus próprios motores, antes da abertura do para-quedas.

Logo se acenderam os sinais de alerta. "Tudo o que se aprendeu no treinamento se aplica", disse o americano. Mas, "para o essencial, o sistema automático de salvamento fez tudo, unicamente o seguimos", explicou o russo.

A Rússia criou uma comissão investigadora para determinar as causas do fracasso, que poderia ter consequências para a agenda da estação orbital.

Certamente deve-se considerar a decepção pelo voo frustrado ao espaço. Nick Hague disse ter treinado dois anos para esta missão. Outros astronautas treinam há anos para integrar as próximas missões.

"Estou pronto para voar quando a Nasa quiser", disse o astronauta, inclusive a bordo de uma Soyuz, que por enquanto é o único veículo capaz de levar tripulantes ao espaço.

O sistema de emergência "não tinha sido ativado em 35 anos, mas o ativamos na semana passada e funcionou", disse.

ISS A/S