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ONU pede que 'façam muito mais' para limitar catástrofes climáticas

02/12/2018 15h44

Katowice, Polónia, 2 dez 2018 (AFP) - Os 200 países reunidos na Polônia para tentar colocar o Acordo de Paris nos trilhos devem "fazer muito mais" para limitar os impactos sem precedentes da mudança climática, pediu a ONU neste domingo (2), apesar dos ventos pouco favoráveis a uma resposta ambiciosa.

A 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24) começou neste domingo na cidade polonesa de Katowice.

Os impactos do desajuste climático "nunca foram tão graves" e têm que obrigar a comunidade internacional a "fazer muito mais" para combatê-lo, pediu neste domingo a mexicana Patricia Espinosa, secretária executiva da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática.

"Este ano deverá ser um dos quatro mais quentes já registrados. As concentrações de gases do efeito estufa na atmosfera estão em seu ponto mais alto e as emissões continuam aumentando", acrescentou a responsável sobre o clima da ONU em um comunicado divulgado na 24ª conferência.

"Os impactos da mudança climática nunca foram tão graves. Esta realidade nos diz que devemos fazer muito mais. A COP24 deve tornar isso possível", acrescentou Espinosa.

A mudança climática "já atinge comunidades em todo o planeta" e as "vítimas, destruição, sofrimento" decorrentes "tornam o nosso trabalho mais urgente", estimou.

Com o Acordo de Paris em 2015, o mundo se comprometeu em limitar o aumento da temperatura a +2°C em comparação com a era pré-industrial e, idealmente, +1,5°C.

O recente relatório de cientistas do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês) destacou a diferença clara nos impactos que teriam esses dois objetivos, que iriam desde as ondas de calor ao aumento do nível do mar.

Mas os compromissos assumidos até esta data pelos signatários de Paris conduzem a um mundo 3°C mais quente.

Considerando que o planeta já elevou a temperatura em 1°C, para se manter abaixo de +1,5ºC, as emissões de CO2 deveriam ser reduzidas em quase 50% até 2030 em comparação com 2010, segundo o IPCC.

Os membros do G20, com exceção dos Estados Unidos, reafirmaram no sábado seu apoio ao Acordo de Paris.

Mas "não podemos dizer que os ventos são favoráveis" a um aumento nas ambições climáticas, disse Michel Colombier, diretor científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI), referindo-se ao contexto geopolítico.

Com uma guerra comercial entre China e Estados Unidos e o ceticismo em relação à mudança climática por parte de Donald Trump e do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (que também mencionou uma possível saída de seu país do Acordo de Paris), "as estrelas não estão mais alinhadas", lamenta Seyni Nafo, porta-voz do grupo África.

Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas de Bruxelas neste domingo pelo início da reunião na Polônia.

Com 65.000 pessoas, segundo a polícia, os organizadores afirmaram que foi a maior manifestação ocorrida na Bélgica sobre a mudança climática.

- Katowice, imprescindível -A cúpula de um dia, na segunda-feira, em Katowice, onde apenas 20 líderes estão confirmados, incluindo o primeiro-ministro holandês e o presidente do governo espanhol, assim como os presidentes da Nigéria e Botswana, pode dar um sinal das intenções do resto do mundo.

Mas apesar do chamado "diálogo de Talanoa" (uma série de encontros em curso para tentar aumentar os objetivos), os observadores temem que a maioria dos Estados, encorajados a rever seus compromissos para 2020, estejam esperando por outra cúpula convocada pelo secretário-geral da ONU, em setembro de 2019 em Nova York, para mostrar seus objetivos.

Quanto à Polônia, anfitriã da reunião e forte defensora de sua indústria do carvão, seu objetivo principal é a adoção de um "manual do usuário" do Acordo de Paris.

Assim como uma lei precisa de um decreto de aplicação o Acordo de Paris requer regras precisas para ser seguido, especialmente sobre transparência, ou sobre como os Estados prestarão conta de suas ações, seu financiamento e seus resultados.

"Não há Acordo de Paris sem Katowice", destacou a presidência polonesa da COP24.

Mas os debates provavelmente serão muito amargos sobre esses tópicos sensíveis, principalmente sobre a questão do financiamento Norte-Sul.

Os países desenvolvidos se comprometeram em investir 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para o financiamento de políticas climáticas nos países em desenvolvimento. Embora esses fluxos estejam aumentando de acordo com a OCDE, muitos países do Sul estão exigindo compromissos mais claros para manter essa promessa.