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Sonda chilena atinge 8.081 metros de profundidade na Fossa do Atacama

2019-06-18T19:57:00

18/06/2019 19h57

Santiago, 18 Jun 2019 (AFP) - Cientistas chilenos atingiram 8.081 metros de profundidade com uma sonda não tripulada na Fossa do Atacama, que contorna parte da costa do Chile e o sul do Peru, em um "marco" gravado em um documentário apresentado nesta terça-feira.

O documentário "Atacamex, explorando lo desconocido", do diretor Julián Rosenblatt, apresentado nesta terça na Universidade de Concepción (sul), mostra uma façanha inédita para a pesquisa chilena.

"É mais fácil pôr um instrumento exploratório na Lua do que no fundo do mar!", disse à AFP o chefe da pesquisa, Osvaldo Ulloa, diretor do Instituto Milênio de Oceanografia do Chile, que liderou esta expedição ao fundo do mar há um ano.

"É uma história emocionante que traz um mundo estranho e desconhecido à superfície, espécies marinhas que habitam profundidades impressionantes nunca antes descritas são parte desta aventura do conhecimento", destaca Ulloa.

O batiscafo, de cinco metros de altura e dois de largura, construído no Chile com assessoria de engenheiros americanos, leva três horas para tocar o fundo de uma das 30 gigantescas fossas do planeta, equipado com câmeras e uma rede para capturar animais do fundo do mar.

Além de fazer observações de temperatura, salinidade e coletar água a mais de 8.000 metros de profundidade, os pesquisadores descobriram que a atividade biológica neste "Everest dos mares" é maior do que suspeitavam.

"Temos evidências de que há espécies novas" neste mundo de escuridão, onde "não há luz mas as espécies têm a visão desenvolvida", explica Ulloa.

A maior profundidade em que encontraram peixes foi 7.500 metros. Além desse limite há anfípodes, uma espécie de crustáceos ou camarões grandes, cartilaginosos (já que a essa pressão não podem formar ossos) e de natureza necrófaga.

É a primeira vez que se chega à parte mais profunda da Fossa do Atacama, em frente à cidade de Antofagasta (norte).

"Este tipo de expedições são feitas pelos países ricos. Para nós foi um marco", diz Ulloa, que considera que o oceano profundo é a "última fronteira que nos resta por descobrir".

Das 30 fossas que foram documentadas nos mares do mundo, a maioria no Oceano Pacífico, a mais profunda é a das Marianas, com 11 km de profundidade, até onde chegou o "Trieste", um batiscafo tripulado em 1960.

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