Aeronave faz 1ª volta ao mundo movida a energia solar: isso vai mudar a aviação?

Jonathan Amos - BBC Science Correspondent

Assistir ao pouso do avião Solar Impulse - movido a energia solar - foi fascinante, principalmente porque era noite.

Enquanto ele se movia lentamente, as lâmpadas de LED em suas longas asas iluminavam o caminho e deixavam claro que a aeronave era muito diferente de qualquer coisa que podemos reconhecer em um aeroporto.

O projeto suíço tinha vários objetivos, o mais óbvio deles ligado a uma aventura: conseguir algo que ninguém tinha feito antes, dar a volta no planeta sem combustível.

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E o Solar Impulse conseguiu isso quebrando nada menos do que 19 recordes de aviação.

Um dos mais incríveis foi quando a aeronave fez um voo de cinco dias e cinco noites cruzando o oeste do oceano Pacífico entre junho e julho do ano passado.

Foi o mais longo voo solo (em duração) já realizado na história por qualquer tipo de avião.

Em todos esses feitos havia outro objetivo: demonstrar que este é o momento das tecnologias limpas.

Futuro?

Mas isso significa que estaremos em breve embarcando em aviões movidos a energia solar?

A resposta é não. Como foi observado no projeto do Solar Impulse, a aeronave pode levar apenas uma pessoa por enquanto, o piloto.

Portanto, essa não é uma solução para o transporte em massa.

O Solar Impulse também é muito lento - não daria para chegar naquela reunião urgente de trabalho principalmente se as condições climáticas não forem as ideais.

Com o tamanho de suas asas e a leveza de sua estrutura, a viagem também pode ser turbulenta.

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O avião tem o tamanho de um Boeing 747 e pesa cerca de 22,3 mil, alcançando uma velocidade média de 70 km/h.

Na parte final de sua viagem de volta ao mundo, o piloto Bertrand Piccart teve que enfrentar uma turbulência terrível enquanto passava pelo deserto saudita, na chegada a Abu Dhabi.

Logo, as aeronaves que fazem voos comerciais atualmente devem continuar sendo as mais usadas em um futuro próximo.

Mas, analisando o projeto, é possível ver para onde parte dessa tecnologia está indo.

Um exemplo é a maior empresa aeroespacial da Europa, a Airbus, que está fabricando um drone movido a energia solar chamado Zephyr.

O avião é robótico, não há humanos a bordo. Vai voar a uma altura de mais de 18,2 mil metros e circular de forma contínua.

Por isso, o drone às vezes é chamado de "avião eterno" ou "pseudossatélite". O Zephyr pode voar durante meses.

O Ministério da Defesa britânico comprou alguns exemplares para usar em tarefas de reconhecimento e telecomunicações para as forças da Grã-Bretanha em missões em outros países.

Conectividade

O Facebook também acredita que drones movidos a energia solar têm um grande potencial.

O gigante das redes sociais avalia que esse tipo de aeronave é uma solução para levar internet de banda larga a regiões do mundo que ainda não contam com essa infraestrutura e, por isso, está fazendo muitos investimentos no setor.

Para os passageiros comuns, o mais provável no curto prazo deve ser uso de pequenos aviões elétricos.

Eles seriam totalmente carregados na decolagem e fariam viagens curtas, talvez entre cidades vizinhas, onde fazer pouco barulho é importante.

E o sistema de energia dessas pequenas aeronaves poderia até receber a energia solar como um complemento.

A mensagem que o piloto do Solar Impulse, Bertrand Piccard, repetiu durante toda a viagem global foi "pense grande".

Ou seja: não fique trancado no escritório, tente fazer algo difícil.

E essa é a mesma atitude que levou o pai de Bertrand Piccard, Jacques, a fazer a primeira viagem tripulada à Fossa das Marianas, em 1960.

E também levou seu avô, Auguste, a ser o primeiro fazer uma viagem de balão até a estratosfera, em 1931.

Bertrand Piccard garantiu a mim na semana passada que em dez anos testemunharíamos a energia solar tendo um papel cada vez mais importante, transportando dezenas de pessoas em voos curtos.

A dúvida é se podemos embarcar nesse desafio.

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