Estudo indica que, mesmo no futuro, o ser humano não viverá muito além dos 115 anos

James Gallagher

Especialista em ciência da BBC

  • Getty Images

A expectativa de vida da população vem aumentando desde o século 19, graças a vacinas, melhores condições de parto e medicamentos para doenças como câncer e problemas cardíacos.

Mas será que um dia esse crescimento vai bater no teto? Será que um dia o ser humano vai chegar no limite de longevidade que o corpo suporta?

Um estudo publicado na revista especializada Nature diz que sim e vai além: afirma que o máximo que um humano pode viver é por 115 anos, mais ou menos.
Os pesquisadores, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, analisaram décadas de dados sobre longevidade humana.

Segundo eles, raríssimas pessoas podem viver mais do que 125 anos. Tão raro que você teria de vasculhar 10 mil planetas Terra para encontrar apenas uma dessas pessoas.
A repercussão do estudo, no entanto, foi bastante diversa. Enquanto alguns cientistas teceram elogios, outros afirmaram que ele é uma grande farsa.

Supercentenários

Os pesquisadores usaram informações de um banco de dados chamado Human Mortality Database e incluíram o número de mortes dos chamados supercentenários - pessoas com mais de 110 anos - nos Estados Unidos, na França, no Japão e no Reino Unido.

A análise mostrou que o aumento da expectativa de vida está desacelerando entre os centenários e que a idade máxima para a morte vem se estabilizando nas últimas duas décadas. "Em pessoas com mais de 105 anos, estamos avançando pouco, o que nos diz que é provável que estejamos chegando ao limite da vida humana", disse o professor Jan Vijg, um dos coautores do estudo.

"Conseguimos ver isso pela primeira vez na história. E parece que a expectativa máxima de vida é por volta dos 115 anos. É praticamente impossível ir além disso."

A mais idosa

Mas Jeanne Calment passou desse limite. A pessoa mais velha do mundo tinha ao menos 122 anos quando morreu, em 1997. Francesa, ela nasceu antes de a Torre Eiffel ser construída e encontrou o pintor Vincent van Gogh.

Desde sua morte, ninguém chegou perto de sua longevidade.

A professor Linda Partridge, que é diretora da Instituto de Envelhecimento Saudável da University College, de Londres, disse à BBC que um limite para vida é algo que "por lógica, deve mesmo existir."

Mas ponderou: "apesar de o fato desse estudo bem interessante descrever o que está acontecendo agora, ele não descreve o que acontecerá mais para frente".

Muitos dos centenários analisados na pesquisa, disse, foram afetados por má nutrição e infecções na infância, durante o fim do século 19.

"Era certamente um cenário diferente do que um estudo sobre a geração atual, que também poderia ser negativo já que muitas crianças cresceram com obesidade e isso pode reduzir bastante a expectativa de vida", afirmou a professora.

Mas o para o professor James Vaupel, diretor do Instituto de Pesquisa Demográfica Max Planck, o estudo americano vai além do aceitável e não passa de uma "farsa".

Segundo ele, cientistas já fizeram a mesma afirmação no passado, dizendo que o limite de idade era de 65, 85 e 105 anos, apenas para serem desmentidos depois de algum tempo. "Esse estudo não acrescenta em nada ao conhecimento científico sobre o quanto tempo nós vamos viver."

Impedir o envelhecimento?

Os autores da pesquisa acreditam, porém, que qualquer medida para impedir ou retardar o envelhecimento precisa ir além de tratar doenças e que lide com o envelhecimento dentro de cada célula do corpo.

"Para se chegar ao limite de 120, 125 ou, quem sabe, 130 anos, precisamos fazer algo muito fundamental. Precisamos mudar toda a maquiagem genética da espécie humana. E seria preciso desenvolver centenas de milhares de novos medicamentos", disse o professor Jan Vijg.

"O processo de envelhecimento é tão complicado que não será possível mudar substancialmente o limite da vida humana."

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