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5 'superalimentos' do futuro que são bons para você e para o planeta

Paula McGrath - Do Serviço Mundial da BBC

2019-05-20T17:19:15

20/05/2019 17h19

Se você quer se manter saudável e ajudar a salvar o planeta, que tal um prato de algas seguido por alguns cactos e grãos cultivados desde a antiguidade?

Se você quer se manter saudável e ajudar a salvar o planeta, que tal um prato de algas seguido por alguns cactos e grãos cultivados desde a antiguidade?

Globalmente, contamos com uma pequena variedade de alimentos - apenas três grãos (arroz, milho e trigo) compõem quase 60% das calorias vegetais da dieta humana. As pessoas podem até obter calorias suficientes desta forma, mas dietas restritas nem sempre fornecem vitaminas e minerais suficientes.

Um novo relatório da organização não governamental World Wide Fund for Nature (WWF) lista 50 dos chamados "superalimentos do futuro", que são saudáveis e bons para o meio ambiente. Conheça cinco deles para incluir em seu cardápio.

Moringa

A moringa é muitas vezes chamada de "árvore milagrosa" - cresce rápido, é resistente à seca e, no sul da Ásia, onde é uma espécie nativa, muitas de suas partes são usadas na medicina ayurvédica. Suas folhas podem ser colhidas até sete vezes por ano e contêm vitaminas A e C, além de minerais como cálcio e potássio.

Nas Filipinas e na Indonésia, é comum cortar as longas vagens em pedaços menores para serem cozidos em curries e sopas. Estas vagens também contêm sementes que são ricas em ácido oleico, que tem sido associado a níveis mais elevados de colesterol "bom" no corpo.

As folhas podem ser moídas e transformadas em pó para serem usadas em vitaminas, sopas, molhos e chás.

Priya Tew, nutricionista e porta-voz da Associação Dietética Britânica, sabe bem disso. "Na minha família no Sri Lanka, comemos como parte de um curry. Você raspa o interior com os dentes e chupa o molho."

Wakame

No Japão, as algas wakame são cultivadas há séculos para serem usadas na alimentação, mas também são oferecidas aos espíritos dos antepassados, ??e até impostos já foram pagos em algas marinhas.

Hoje em dia, também é cultivada nos mares da França, da Nova Zelândia e da Argentina. Pode ser colhida durante todo o ano - sem o uso de fertilizantes ou pesticidas - e desidratada ao sol.

O algas secas conferem um delicioso sabor salgado e umami (o quinto gosto do paladar humano) aos alimentos. Também são uma das poucas fontes vegetais de ácido eicosapentaenóico - o ácido graxo ômega-3, encontrado em peixes com alto teor de gordura que se alimentam exclusivamente de algas.

Uma das mais suaves algas marinhas marrons, a wakame também contém uma grande quantidade de fucoidan - uma fibra alimentar que estudos com animais têm demonstrado ter bons efeitos na redução da pressão arterial, além de propriedades anticoagulantes e antitumorais.

"Algas pode ser uma grande fonte de iodo e ômega 3, especialmente para as pessoas que consomem menos produtos de origem animal. Comia muito isso em Hong Kong", diz Priya Tew.

Mas ela faz um alerta: "É importante comer em pequenas quantidades por dia para não ingerir muito iodo e metais pesados presentes no mar".

Fonio

Este antigo grão africano é conhecido pelo seu sabor delicado que lembra o de nozes. O povo bambara, do Mali, diz que ele "nunca cria problemas para o cozinheiro" por ser muito fácil de preparar.

Há evidências de que vem sendo cultivado há mais de cinco mil anos, desde o Egito antigo. Existem variedades preta e branca do cereal, que é resistente à seca e está pronto para ser colhido em apenas 60 ou 70 dias na região do Sahel, na África Ocidental.

Os grãos de fonio são tão pequenos quanto areia - e a casca não comestível precisa ser removida. Grande parte deste trabalho é feito à mão, mas um novo moinho no Senegal pode levar o grão sem glúten a ser exportado para todo o mundo quando for concluído no próximo ano.

Rico em ferro, zinco e magnésio, o fonio pode ser usado no lugar do cuscuz ou do arroz e até mesmo usado para fazer cerveja.

Priya Tew diz que "é um grão que adoraria experimentar". "Acho que será popular, pois é livre de glúten, e o fato de ser resistente à seca o torna uma boa opção como um alimento do futuro diante do aquecimento global".

Nopal

Este tipo de cacto comestível é comumente usado na culinária mexicana, que utiliza seu caule, frutos e brotos como ingredientes. Pode ser comido cru ou cozido e transformado em suco ou geléia. É fácil cultivá-lo na América Central e do Sul, na Austrália e até na Europa.

Alguns estudos clínicos sugerem que a fibra dos cactos ajuda o corpo a excretar mais da gordura que é ingerida, mas quaisquer benefícios para a perda de peso ainda precisam ser comprovados.

Outros estudos sugeriram que reduz os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes tipo 2 e pode até combater os sintomas desagradáveis da ressaca.

Quem quiser experimentar este cacto deve tomar cuidado: algumas pessoas relatam efeitos colaterais como diarréia leve, náusea e inchaço abdominal.

"Alguns dos benefícios para a saúde apontados parecem ser interessantes, mas é importante notar que não são comprovados e que existem efeitos colaterais. Por isso, infelizmente, dificilmente virará moda em alimentação saudável", diz Priya Tew.

Feijão-bambara

É como uma versão menos oleosa e doce de um amendoim. O feijão-bambara chamou a atenção de especialistas em alimentos sustentáveis, ??porque pode ser cultivado em solos pobres, tornando-os mais férteis ao "fixar" nitrogênio na terra.

A leguminosa africana também é cultivada no sul da Tailândia e partes da Malásia e pode ser cozida, assada, frita ou moída para formar uma farinha fina.

No leste da África, os grãos são transformados em purê para criar uma base para sopas. Ele é conhecido como um "alimento completo", por ser rico em proteínas e uma fonte do aminoácido essencial metionina, que promove o crescimento de novos vasos sanguíneos e a absorção de zinco, necessário para o sistema imunológico do corpo. Também tem muito selênio, que ajuda a regular a função da tireóide e fortalece o sistema imunológico.

"Pode ser ótimo para pessoas vegetarianas, veganas ou que têm uma dieta baseada em vegetais, por ser uma fonte de proteína e ser obtido por meio de culturas sustentáveis", diz Tew. "Com as atuais questões que temos diante do futuro de nossa alimentação, precisamos alimentos versáteis e de fácil cultivo como este."


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