Europa avança na corrida espacial com novo protótipo de nave

Marta Garde

Em Kourou (Guiana Francesa)

  • Stephane Corvaja/ESA/AFP

    Em foto divulgada pela ESA (Agência Espacial Europeia, na sigla em inglês), o foguete Vega é lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa, carregando o Intermediate eXperimental Vehicle (IXV) em uma missão-teste de 100 minutos. A agência disse que lançou o protótipo desenhado para retornar à Terra como um passo importante em sua estratégia espacial. A missão sub-orbital vai testar tecnologias que poderão levar a uma espaçonave reutilizável

    Em foto divulgada pela ESA (Agência Espacial Europeia, na sigla em inglês), o foguete Vega é lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa, carregando o Intermediate eXperimental Vehicle (IXV) em uma missão-teste de 100 minutos. A agência disse que lançou o protótipo desenhado para retornar à Terra como um passo importante em sua estratégia espacial. A missão sub-orbital vai testar tecnologias que poderão levar a uma espaçonave reutilizável

Com o lançamento de um veículo experimental, a Europa deu nesta quarta-feira (11) um novo passo em sua conquista do espaço para, no futuro, contar com uma nave reutilizável capaz de voltar à Terra de forma autônoma e aterrissar sem danos.

A decolagem, a bordo de um foguete Vega, o menor dos operados pelo consórcio aeroespacial Arianespace, ocorreu às 11h40 (de Brasília) no centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, 40 minutos depois da hora inicial prevista devido a um problema de transmissão entre a plataforma de lançamento e a estação de telemetria.

Nos cem minutos de duração da viagem até o pouso no Oceano Pacífico foram verificados, através dos 300 sensores na nave, os avanços europeus em termos de aerodinâmica, proteção térmica e navegação automática.

Essa é a primeira missão de voo com um reingresso completo na atmosfera experimentada por esses sistemas. A análise de suas conclusões servirá para o projeto de uma futura nave autônoma e reutilizável, que ajudará a Europa a ser mais independente da Rússia e dos Estados Unidos e reduzirá o custo das missões.

A parte mais delicada do voo, segundo os especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA), foi o próprio reingresso, a 1.700 graus de temperatura e no qual o ângulo de entrada é essencial para alcançar o ponto desejado de aterrissagem.

O Intermediate eXperimental Vehicle (IXV) é um passo intermediário entre a missão ARD da ESA, com uma cápsula em 1998, e o programa Pride, que busca desenvolver esse veículo reutilizável, que também seria lançado de um Vega, mas que, após estar em órbita, teria a capacidade para aterrissar automaticamente em uma pista.

Foram "cem minutos para entrar no futuro", disse nesta quarta-feira, em Kourou, o diretor-geral da ESA, Jean-Jacques Dordain. Para ele, com esta estrutura sem asas há a tentativa combinar a simplicidade das cápsulas com a maior capacidade de manobra de veículos como as naves americanas.

O IXV conta com a participação de sete países e abre um novo capítulo para a agência, que colocou naves em órbita e as fez aterrissar em objetos distantes do Sistema Solar, mas que ainda não tem a capacidade de desenvolver lançadores reutilizáveis ou trazer novamente tripulações ou mostras de outros planetas.

Foram necessários 150 milhões de euros e 13 anos de trabalho desde que o projeto começou a ser planejado, em 2002, e a ser construído, em 2009. A principal prestadora de serviços é a Thales Alenia Space Itália, com o apoio de outras 40 companhias europeias.

"Hoje é um dia muito importante para a ESA", disse o diretor de plataformas de lançamento, Gael Winters. Para ele, houve duas missões em uma: a do IXV e a que põe a toda prova o próprio Vega, com o qual realiza seu quarto lançamento de Kourou e "ainda é um jovem membro da família".

O próximo passo "já tem nome e se chama Pride", informou Dordain, para quem o sucesso da missão desta quarta-feira faz com que seja mais fácil convencer os membros europeus da viabilidade do projeto, que já dispõe de um primeiro financiamento para começar a trabalhar.

Os resultados deste voo só serão divulgados em cerca de seis semanas e a aplicação operacional de sua tecnologia dependerá dos projetos em andamento, dos países envolvidos e do orçamento, mas Dordain se mostra otimista que a Europa se tornou "parceiro muito atrativo" no setor aeroespacial.

"Meu único lamento é que o sucesso sempre parece fácil, mas é a soma de um trabalho absolutamente extraordinário", concluiu o líder da agência, que deixará o cargo no dia 30 de junho, após 12 anos na função.

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