Astrônomos conseguem observar turbulências da galáxia mais brilhante

Berlim, 15 jan (EFE).- Uma equipe de astrônomos liderada por Tanio Díaz-Santos, da Universidade Diego Portales de Santiago, no Chile, conseguiu observar a turbulenta atividade vivida a galáxia mais brilhante que se conhece no Universo, no processo de expulsar a totalidade de sua provisão de gás de formação estelar.

Os astrônomos, explica em comunicado o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), utilizaram o radiotelescópio ALMA situado no deserto chileno de Atacama para estudar o quasar W2246-0526,

Os quasares são galáxias distantes com buracos negros supermaciços muito ativos em seus núcleos, que ejetam potentes jatos de partículas e radiação, e o W2246-0526 é a galáxia mais luminosa conhecida.

Os pesquisadores decidiram esquadrinhar seu interior para rastrear o movimento de átomos ionizados de carbono entre as estrelas da galáxia.

"Foram encontrados grandes quantidades deste material interestelar em condições extremamente turbulentas e dinâmicas, se espalhando através da galáxia a uma velocidade de dois milhões de quilômetros por hora", destacou Díaz-Santos.

Os astrônomos acreditam que este comportamento turbulento poderia estar vinculado ao resplendor extremo da galáxia, que descarrega uma luz equivalente a 350 trilhões de sóis.

Essa luminosidade, explica o ESO, é alimentada por um disco de gás que é superaquecido ao girar em espiral rumo ao buraco negro supermassivo no núcleo da galáxia.

A luz resplandecente desse disco, acrescentou, não escapa diretamente, mas é absorvida por uma envolvente e densa camada de pó, que volta a emitir a energia como luz infravermelha.

A região em volta do buraco negro é assim pelo menos cem vezes mais brilhante que o resto, liberando uma radiação intensa, mas localizada, que exerce enorme pressão em toda a galáxia.

"O ALMA nos demonstrou que a furiosa caldeira nesta galáxia está provocando um transbordamento", disse Roberto Assef, também da Universidade Diego Portales e líder das observações com o ALMA.

Segundo os cientistas, se estas condições turbulentas continuar a intensa radiação infravermelha destruiria todo o gás interestelar da galáxia, que pode amadurecer e se transformar em um quasar mais tradicional.

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