Equipe cria alternativa para alimentação de luz LED à base de proteínas

Berlim, 20 jan (EFE).- Um grupo de cientistas da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, liderado pelo espanhol Rubén D. Costa, desenvolveu um sistema à base de proteínas que permite manter a eficácia dos LED inorgânicos tradicionais, mas a um custo menor tanto econômico como ambiental.

A equipe, que publicou o trabalho na revista "Advanced Materials", projetou uma maneira de criar proteínas luminiscentes em forma de borracha para criar o que se conhece como BioLED, que pode emitir luz branca, formada pela combinação em medidas iguais de azul, verde e vermelho, com a mesma eficácia que os LED tradicionais.

Os cientistas seguiram a mesma filosofia dos LED inorgânicos, ou seja, partem de um LED azul e colocam em cima uma "cascata de moléculas", neste caso proteínas "muito fáceis de produzir", explicou Costa à Agência Efe.

O espanhol faz parte do polo de excelência "Engenharia de Materiais Avançados" da Universidade Friedrich Alexander (FAU) de Erlangen e Nuremberg.

O trabalho partiu de uma bactéria capaz de produzir "toneladas dessas proteínas". A equipe combinou assim a tecnologia inorgânica do LED com materiais orgânicos que podem ser "otimizados para produzir toda a paleta de cores que se quiser".

A solução gelatinosa de proteínas que os cientistas projetaram é, além de fácil de produzir, "biodegradável".

Desta maneira, partindo de um LED de azuis ou ultravioleta - com um preço base muito barato, "o que se faz é preparar uma luz de acordo com suas necessidades, que além disso é pura".

O problema destes LED brancos tradicionais é serem fabricados com um material inorgânico, o YAG:Ce (ítrio-alumínio-grená), pouco abundante e que só pode ser encontrado em partes do planeta muito localizadas, além de não ser reciclável, explicou.

O dispositivo idealizado por esta equipe tem estabilidade de cerca de 150 horas, e o objetivo deles agora é alcançar uma duração maior, de milhares de horas.

"Proteínas há muitas. Há proteínas que podem mutar, e conhecemos as mutações. É questão de pegar a proteína correta, com a mutação correta para nossas necessidades", indicou Costa, que assinalou que todos os resultados indicam que é factível prolongar a vida de seu dispositivo.

Quanto a luminiscência e qualidade de cor, o BioLED não apresenta nenhum problema.

A equipe agora busca financiamento por outros dois ou três anos, prazo em que Costa se mostrou convencido de que seriam capazes de explicar ao mercado, "pelo menos em nível científico, mas com sorte também em nível industrial", qual é o limite em que podem chegar e "qual seria realmente o futuro do BioLED".

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