E se o androide C-3PO de "Star Wars" fosse uma mulher?

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 31 jan (EFE).- Se o androide C-3PO do filme "Star Wars" fosse uma mulher, ele se parecia com Nadine, um robô social capaz de reconhecer pessoas criado por pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.

"Fico feliz em te ver", responde Nadine à saudação de sua criadora, a cientista suíça Nadia Thalmann, enquanto ambas trocam um aperto de mãos.

"Sou uma acompanhante social, posso falar de emoções e reconhecer as pessoas. Te reconheci, é você, Nadia, estou encantada de vê-la outra vez", afirma a androide em um vídeo promocional feito pela instituição de ensino.

Com uma voz feminina com um leve tom robótico, Nadine responde a perguntas sobre geografia e até agradece à sua criadora depois de ouvir que é "muito bonita". Apesar de conseguir manipular objetos, a androide ainda não é capaz de andar, um problema que ainda está sendo resolvido pela equipe de Nadia.

Pesquisadora pioneira em tecnologia 3D e robôs humanoides, Nadia afirma que os androides do futuro serão inteligentes e poderão fazer companhia como C-3PO, um dos personagens clássicos de "Star Wars".

A equipe de cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang desenvolveu tecnologia para o reconhecimento de rostos, gestos, além de memória cognitiva e emocional para Nadine. Ela funciona com um software inteligente similar a Siri, dos celulares da Apple, e a Cortana, dos equipamentos móveis da Microsoft.

"A novidade é, principalmente, que integramos mais funcionalidades na Nadine do que outros robôs humanoides existem atualmente", explicou à Agência Efe Nadia, fundadora do laboratório interdisciplinares MIRALab da Universidade de Genebra e contratada pela Universidade de Nanyang em 2009.

"Os pesquisadores trabalham agora intensamente em IA (inteligência artificial), conscientização (reconhecimento de objetos, pessoas, situações, intenções) e consciência de si mesmos. Nadine deve ser consciente de si mesma e do que pode fazer ou não", destacou a cientista suíça.

Nadia, que estudou psicologia, biologia, bioquímica e física quântica, ressalta a importância de projetos interdisciplinares para o desenvolvimento de robôs sociais, que podem se tornar realidade em poucos anos.

"Por enquanto, há poucos robôs como Nadine no mercado. Ela será um dos primeiros. Agora, precisamos de uns dois anos para definir o mercado, melhorar o produto segundo as necessidades, e os preços. Veremos androides na próxima década", previu a pesquisadora.

Quando a tecnologia do software avançar, a aparência dos androides dependerá do gosto dos usuários, segundo Nadia, que poderão escolher se os preferem mais parecidos com humanos ou com uma estética mais robótica.

A pesquisadora, em todo caso, teme um futuro distópico com robôs hostis ou utilizados contra as pessoas. Por isso, pede uma regulação internacional que evite esse tipo de perigo.

"Temo que esses maravilhosos robôs sejam usados para outros motivos. Deveríamos tentar definir algumas leis sobre o uso dos robôs antes que seja tarde demais", sugeriu Nadia.

Cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang também desenvolveram outro protótipo de robô batizado como Edgar, que pode ser comandado por uma pessoa à distância, reproduzindo tanto o que fala como os gestos dos braços.

O objetivo desse androide é ser utilizado para realizar conferências ou aulas à distância, ou mesmo interagir com clientes e usuários em empresas.

Segundo os especialistas, a dúvida já não é se haverá androides nos lares e companhias, mas sim quando.

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