Ciclone Winston deixa rastro de morte e destruição após passar por Fiji

Bangcoc, 22 fev (EFE).- Pelo menos 21 pessoas morreram em Fiji e milhares ficaram deslojadas pela passagem do ciclone Winston, que causou uma grande destruição neste arquipélago do Pacífico sul, onde continua nesta segunda-feira a apuração de vítimas e danos.

A última morte confirmada é a de uma criança de dez anos, que morreu afogada na cidade de Nausori, a 18 quilômetros de Suva, informou o Escritório Nacional de Resposta aos Desastres.

O primeiro-ministro de Fiji, Frank Binimarama, ordenou hoje à Administração que envie com rapidez dinheiro, material e pessoal às áreas atingidas.

"Há fijianos aí fora sem água, sem um teto para cobrir suas cabeças, sem alimentos e sem os serviços básicos", disse durante uma reunião com o Escritório Nacional de Resposta aos Desastres, segundo a nota da assessoria de imprensa do governo.

Winston chegou a Fiji com ventos de 230 km/h e rajadas de 325 km/h, além de chuvas intensas.

"É nossa obrigação determinar as necessidades e aliviá-las o mais rápido possível", afirmou o premiê de Fiji, arquipélago de 810 mil habitantes, dos quais 87% vivem nas ilhas de Viti Levu (oeste) e Vanua Levu (norte).

Os centros de evacuados governamentais atendiam hoje 8.438 pessoas: 5.880 na divisão ocidental, 1.260 na divisão norte, 1.177 na divisão central e 121 na divisão sul, segundo dados oficiais.

Mesmo assim, há famílias que passaram os dois últimos dias ao relento, como a de Gurnam Singh, que de Cuvu, uma área no sudoeste de Viti Levu, depois de o ciclone destruir as três casas em que viviam.

"Os fortes ventos levaram as três casas. Não sobrou nada. Passamos a noite de sábado e a de domingo em uma plantação de cana de açúcar. Somos 28, incluído um bebê", relatou Singh ao jornal local "Fiji Times".

O primeiro-ministro indicou que equipes médicas foram enviadas para atender as necessidades nos centros de amparo e nas áreas remotas, e o Ministério da Saúde coordena com as ONGs a distribuição de serviços e equipamentos.

O governo enviou outras equipes à ilha de Koro, a mais afetada de Lomaiviti, no centro do arquipélago, para que avaliem a situação e as necessidades.

Banimarama pediu à população que permaneça alerta e evite se deslocar, embora o toque de recolher decretado no sábado tenha sido levantado.

Os voos locais continuam restringidos, e a frota pesqueira tem ordem de permanecer no porto até novo aviso. Colégios, institutos e universidades permanecem fechados.

"Não temos informação de danos relevantes nas estruturas da maioria dos hotéis de Viti Levu, com exceção de algumas propriedades na região de Rakiraki", disse o ministro de Indústria, Comércio e Turismo, Faiyaz Siddiq Koya, em mensagem que buscava tranquilizar o setor turrístico, um dos pilares da economia nacional.

O distrito de Rakiraki pertence a província de Ra e fica ao norte de Viti Levu.

"Enquanto tentamos obter uma imagem clara do impacto desta tempestade gigantesca, os reconhecimentos aéreos mostram aldeias completamente planas", afirmou Sara Boxall, da CARE Austrália, em comunicado enviado desde Fiji.

"Não há luz em grande parte do país, o dano ao serviço de água potável parece grande e o serviço de saneamento está potencialmente danificado", indicou Boxall.

"Esta situação, combinada com o fato de que milhares de pessoas estão em centros de evacuação abarrotados, pode desembocar com rapidez no surto de epidemias", acrescentou a voluntária.

A presidente da Cruz Vermelha de Fiji, Cathy Wong, fez hoje um pedido internacional de solidariedade com as vítimas do ciclone Winston para atender as necessidades dos mais vulneráveis.

Enquanto Fiji tenta ficar de pé, o ciclone Winston se dirige para Vanuatu, outro remoto país no meio do Pacífico.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos