Especialistas buscam restos dos últimos dinossauros na Patagônia chilena

Gérard Soler.

Cerro Guido (Chile), 3 mar (EFE).- A era dos dinossauros segue viva na Patagônia chilena graças a um grupo de pesquisadores que percorre as frias colinas e verdes paisagens do sul do mundo em busca de fósseis de plantas e animais de mais de 65 milhões de anos de antiguidade.

A expedição, coordenada pelo Instituto Antártico Chileno (Inach), procura vestígios de dinossauros e outras espécies que habitaram a região no Cretáceo Superior, uma época próxima à extinção em massa dos dinossauros.

O lugar escolhido para as pesquisas é a tundra patagônica de Cerro Guido, mais de 340 quilômetros ao nordeste da cidade chilena de Punta Arenas e perto da fronteira com a Argentina.

Para chegar até esse remoto local é preciso fazer uma pequena odisseia. Primeiro, mais de cinco horas de carro em estrada de terra e alguns trechos de asfalto até Las Chinas.

Depois é necessário seguir mais dez quilômetros rumo ao norte, até o acampamento científico. É impossível fazer o percurso de automóvel devido ao cruzamento de rios e a instabilidade do terreno.

O jeito é ir a pé, com uma caminhada de mais de quatro horas, ou a bordo de um trator, que reduz pela metade o tempo de viagem.

O acampamento dos paleontólogos se encontra em um lugar chamado El Puesto, situado junto a um rio no final de um vale, com apenas uma cabana que há anos serviu de refúgio para o vigilante dessa parte da região.

Ao redor do abrigo, que é utilizado como refeitório e para se proteger do frio, são montadas cerca de dez de barracas onde os pesquisadores descansam ao longo da noite.

A equipe é formada por paleontólogos, biólogos e geólogos brasileiros e chilenos que trabalham em um projeto do Instituto Antártico Chileno (Inach) para encontrar evidências que provem a existência de uma conexão terrestre entre a América do Sul e a Antártida na época dos dinossauros.

Os especialistas trabalham no local durante duas semanas aproveitando o verão, porque em questão de meses a região estará totalmente coberta pela neve.

O projeto está em andamento há vários anos e já teve descobertas surpreendentes, como os primeiros fósseis no Chile de hadrossauro, uma espécie de vertebrados herbívoros muito comum no período Cretáceo, que data de 68 milhões a 71 milhões de anos.

Também foram encontradas ossadas de titanossauro, um saurópode de pescoço longo e grande tamanho, e nos últimos dias os pesquisadores descobriram restos que, aparentemente, correspondem a um terópode, uma espécie de dinossauro carnívoro.

Os especialistas aproveitam ao máximo os dias de trabalho no terreno patagônico. Com as mochilas carregadas de pás, pinças, picaretas e outros instrumentos, fazem longas caminhadas para chegar aos lugares onde trabalharam em atividades anteriores e que estão devidamente marcados em um GPS, e também exploram novas zonas onde acreditam que podem achar mais fósseis.

Essa região da Patagônia chilena é uma mina de ouro para o estudo dos dinossauros. O paleobotânico Marcelo Leppe, chefe do departamento científico do Inach e líder da expedição, considera o local uma relíquia da paleontologia.

"Este lugar tem elementos de dois mundos, o que se entendia como mundo antártico e o mundo sul-americano", explicou à Agência Efe Leppe, que afirma que a riqueza de fósseis e a quantidade de zonas a serem escavadas ainda pode render mais 25 anos de trabalho.

O chileno Toshiro Jujihara Vergara, do Instituto Tecnológico de Karlsruhe, na Alemanha, realiza sua tese de doutorado sobre os dinossauros vertebrados, mas destacou que a Patagônia oferece uma grande diversidade de ambientes e espécies.

"Esta região é fascinante, ideal para fazer estudos de paleontologia. Não somente pela diversidade de formas e ambientes, marítimos, fluviais e continentais, mas também é possível estudar plantas, répteis marítimos, invertebrados marítimos e vertebrados terrestres como os dinossauros", analisou.

Sergio Soto, paleontólogo da Universidad de Chile, compara o local com um livro que permite ver em um mesmo lugar diferentes períodos da evolução da história natural.

"É um livro que conta a história da vida. Talvez tenha algumas folhas arrancadas, mas a que mais importa para nós, a do Cretáceo, tem todas as folhas preservadas e podemos ver o momento exato em que ocorre a conexão entre os dois continentes", relatou o especialista. EFE

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(foto)(vídeo)

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